Em 23 de julho, Afrah al-Zouba foi nomeada ministra das Relações Exteriores do Iêmen, tornando-se a primeira mulher a ocupar essa posição ou qualquer outro cargo de destaque no gabinete do país. Sua ascensão ao cargo é fruto de uma carreira que se estende por décadas nas áreas de desenvolvimento, diplomacia e negociações políticas fundamentais para a história recente do Iêmen.
Formação e trajetória inicial
Natural de Al-Bayda, região central do Iêmen, Afrah al-Zouba começou sua formação acadêmica na área de farmácia, graduando-se pela Universidade de Sana. Posteriormente, cursou mestrado em saúde comunitária e economia da saúde na Malásia e concluiu um MBA na Universidade de Ciência e Tecnologia no Iêmen. Essa combinação de conhecimentos em saúde, economia e gestão orientou sua carreira para políticas de desenvolvimento e reformas governamentais.
Nos primeiros anos, trabalhou na organização não governamental SOUL for Development, atuando em comunidades pobres e marginalizadas, focando em projetos para reduzir a pobreza e ampliar o acesso a serviços de saúde e educação em áreas rurais. Depois, integrou programas da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), com foco em governança, democracia, mitigação de conflitos e ampliação das oportunidades para mulheres e jovens.
Participação política e processos de paz
A partir de 2011, Afrah al-Zouba ganhou destaque nacional ao atuar como primeira secretária-geral adjunta da Conferência Nacional de Diálogo. Esse órgão transitório foi responsável por acompanhar a transição do país após a saída do presidente Ali Abdullah Saleh e pela elaboração de uma nova constituição. Ela coordenou o trabalho técnico e organizacional da conferência, além de colaborar na redação do documento final que consolidava as decisões do processo.
Também participou do Comitê de Redação Constitucional, encarregado de transformar os acordos políticos entre diferentes grupos em uma proposta de nova constituição. No entanto, o processo não avançou devido à recusa do movimento Houthi, que participou do diálogo, mas acabou tomando a capital Sanaa em setembro de 2014, levando o país a uma guerra prolongada.
Durante os anos seguintes, Afrah esteve envolvida em iniciativas de construção da paz, incluindo sua participação em 2016 e 2017 nas consultas da ONU sobre o processo de paz no Iêmen, realizadas no Kuwait. Sua presença nesses diálogos mostrou o esforço para ampliar a participação feminina, ainda assim limitada, nas negociações formais entre as partes em conflito.
Cargos governamentais recentes e desafios atuais
Em 2019, atuou como assessora do então primeiro-ministro Maeen Abdulmalik, focando em ajuda humanitária e desenvolvimento em meio à grave crise humanitária causada pela guerra. Em 2021, assumiu a diretoria executiva do Escritório Executivo para Aceleração da Absorção de Ajuda e Apoio a Reformas, responsável pela gestão de recursos internacionais destinados ao país.
Mais recentemente, em fevereiro, foi nomeada ministra do Planejamento e Cooperação Internacional. Agora, como ministra das Relações Exteriores, terá o papel de apresentar a posição do governo do Iêmen para a comunidade internacional, incluindo países da região, o Ocidente e a Organização das Nações Unidas.
Este momento é particularmente sensível para o governo iemenita, que busca unificar as forças anti-Houthi sob um único comando e estabelecer sua autoridade nas regiões do sul e do leste, que não estão sob controle dos Houthis. Após quatro anos de relativa estabilidade, a escalada da violência abre a possibilidade de um conflito mais amplo entre os grupos em disputa.
Embora haja dúvidas quanto à experiência diplomática de Afrah al-Zouba para um cargo tão delicado, sua trajetória demonstra um compromisso consistente com o desenvolvimento, a cooperação internacional e os processos políticos de construção da paz no país.
Com informações de www.aljazeera.com.
