Marcos Sacramento e o violonista Zé Paulo Becker lançam nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, o álbum ‘Afro Sambas – 60 Anos’ pela gravadora Biscoito Fino. O disco celebra seis décadas de Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius, gravado em 1966 pela extinta Forma.
O álbum revisita o cancioneiro composto pelo violonista fluminense Baden Powell (1937–2000) em parceria com o poeta carioca Vinicius de Moraes (1913–1980). Sacramento e Becker acrescentam ao repertório original quatro composições da mesma dupla que dialogam com o espírito rítmico, poético e espiritual do disco de referência.
Entre as faixas incorporadas estão “Berimbau” e “Consolação”, ambas de 1963, três anos antes do álbum original. A escolha tem coerência conceitual clara: as canções se afinam com o universo das religiões de matriz africana que inspirou Baden e Vinicius na criação dos afro-sambas.
Vozes e violões em homenagem a Baden Powell e Vinicius de Moraes
O álbum é, antes de tudo, um disco de vozes e violões. A produção musical é assinada por Diego do Valle, que também responde pela mixagem e masterização. Como diretor musical e arranjador, Becker conduz o projeto com violão ao mesmo tempo reverente ao toque de Baden Powell e fiel à busca de voz própria, sem trair a alma percussiva e harmônica dos originais.
As percussões ficam a cargo de Netinho Albuquerque e Paulino Dias. Os dois pontuam as faixas com discrição, reforçam o pulso afro-brasileiro e mantêm o protagonismo dos violões e das vozes intacto.
Sacramento, cantor niteroiense de trajetória consolidada, se destaca ao longo do disco. Seu apuro rítmico aparece com força especial no canto ágil de “Berimbau”, uma das faixas mais exigentes do repertório em precisão métrica e expressividade. As demais vozes do álbum são igualmente representativas da cena musical brasileira atual.
A força histórica dos afro-sambas na música brasileira
Sessenta anos separam o lançamento original deste novo álbum, e a distância só amplia a força do repertório. Em 1966, Baden Powell e Vinicius de Moraes fundiram o samba carioca com as cadências e os orixás das religiões afro-brasileiras num Brasil em que essa aproximação ainda carregava estigma social e resistência comercial. O resultado atravessou gerações.
Gravar um disco inteiramente dedicado a esse universo, sem mediações eletrônicas ou atualizações estilísticas forçadas, é um gesto artístico e político. Ao optar pela formação de vozes e violões, o duo mostra que a potência da música de Baden e Vinicius dispensa ornamentos: ela se sustenta na melodia, na poesia e no ritmo.
- Repertório base: todas as faixas do LP original Os Afro-Sambas de Baden e Vinicius (Forma, 1966)
- Acréscimos: quatro composições da mesma parceria, incluindo “Berimbau” e “Consolação” (1963)
- Formação central: vozes múltiplas e violão de Zé Paulo Becker
- Percussão: Netinho Albuquerque e Paulino Dias (participações eventuais)
- Gravadora: Biscoito Fino
- Produção musical, mixagem e masterização: Diego do Valle
A Biscoito Fino, gravadora independente com histórico de apostas em projetos de alta qualidade artística no universo da MPB e do samba brasileiro, é a casa natural para este lançamento. Seu catálogo reúne nomes que prezam pela integridade musical, e Afro Sambas – 60 Anos se encaixa com precisão nesse perfil.
“O violão de Zé Paulo Becker consegue ser reverente ao toque de Baden Powell e, ao mesmo tempo, buscar o próprio caminho, fiel ao espírito desses sambas compostos sob inspiração dos ritmos e harmonias das religiões de matriz africana.”
Mauro Ferreira, jornalista musical
Lançamento e próximos passos do projeto
Com estreia confirmada para 29 de maio de 2026, ‘Afro Sambas – 60 Anos’ chega às plataformas digitais e, segundo a gravadora Biscoito Fino, também em formato físico. O projeto coloca Sacramento e Becker no centro das atenções da crítica e de um público que nas últimas décadas redescobriu a profundidade do cancioneiro de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
A obra dos dois nunca deixou de circular. Regravações pontuais, shows temáticos e pesquisas acadêmicas sobre música afro-brasileira mantiveram o cânone vivo. Um disco inteiramente dedicado a esse universo, com esta envergadura vocal e instrumental, é evento raro no calendário musical brasileiro.
Para os próximos meses, a produção deve confirmar apresentações ao vivo com o repertório do disco. As apresentações levarão as composições de Baden Powell e Vinicius de Moraes a palcos de todo o Brasil e apresentarão o projeto a novas gerações.
