Na vila de Umm al-Khair, situada na região de Masafer Yatta, no sul da Cisjordânia, os moradores palestinos vivem sob constante pressão da presença militar israelense e da expansão de assentamentos. Uma nova base ilegal, ligada ao assentamento de Carmel, foi implantada em setembro do ano passado a apenas 20 metros de casas locais, isolando famílias de suas terras.
Impactos diretos na vida cotidiana
Salem e Ikhlas al-Hathaleen, residentes da vila com oito filhos, vivem em uma casa simples coberta com chapas de metal. Antes, a família usava o terreno próximo para atividades agrícolas e para criar ovelhas. Com o surgimento do novo posto, o acesso ao curral, situado logo atrás da residência, tornou-se dificultado.
Ikhlas detalha que, inicialmente, foram impedidos de cuidar dos animais por quatro dias seguidos e posteriormente só puderam realizar essa tarefa uma vez, acompanhados por militares israelenses. Desde então, o acesso tem sido irregular, e em julho eles conseguiram verificar os animais apenas três vezes. “Todas as manhãs olho para ver se as ovelhas ainda estão vivas. Gostaria de poder cuidar delas como antes”, desabafa.
A situação vai além do curral: até o banheiro da família, construído a poucos metros da casa, tornou-se inacessível. Em julho, colonos instalaram obstáculos, como arame farpado e equipamentos de playground, para dificultar o uso, especialmente para crianças e idosos. A área foi declarada zona militar fechada pelo exército, forçando a família a usar o banheiro de vizinhos, o que implica atravessar uma estrada usada por veículos de colonos. Em agosto, a filha de cinco anos, Swar, foi atropelada nessa travessia.
Expansão dos assentamentos e consequências para a comunidade
A partir de outubro de 2023, com o aumento das hostilidades na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, os ataques de colonos judeus contra os palestinos intensificaram-se. A presença de políticos de extrema-direita no governo israelense tem estimulado a ocupação e expansão dos assentamentos, dificultando a viabilidade de um Estado palestino.
Embora uma decisão judicial emitida em outubro passado determinasse a evacuação do novo posto ilegal próximo a Umm al-Khair, o Exército não cumpriu a ordem, que acabou sendo cancelada. Isso deixa os moradores praticamente sem meios de resistir, sob o risco de agressões e detenções.
Khalil al-Hathaleen, chefe do conselho local, relata que o crescimento dos assentamentos tem acelerado nos últimos anos, com abertura de novas estradas e ampliação das terras controladas pelos colonos, por meio da desapropriação. Esse processo reduziu o rebanho da comunidade de 3.000 para cerca de 700 animais e resultou no corte de mais de mil oliveiras.
50 mil metros quadrados de terra agrícola foram confiscados e há ordens de demolição para 14 casas e construções. Khalil ressalta que a perda do acesso às terras representa para os moradores muito mais do que bens materiais, mas o fim de um modo de vida que se mantém há gerações.
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Com informações de www.aljazeera.com.
