Em evento realizado em São Paulo, Brasil e Coreia do Sul assinaram uma série de acordos que ampliam a cooperação em áreas como comércio, tecnologia e investimentos. A iniciativa ocorreu durante a Brazil-Korea Business Roundtable, com a presença do vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, e do presidente sul-coreano, Lee Jae Myung.
Alckmin ressaltou que estreitar os laços com a Coreia do Sul não é apenas conveniente, mas sim uma necessidade estratégica para o Brasil. O vice-presidente também apontou o potencial para quase dobrar o volume atual do comércio bilateral, que em 2025 alcançou US$ 10,8 bilhões.
Acordos e áreas de cooperação
Entre os sete memorandos assinados em Brasília no dia 27 de julho estão iniciativas nos setores de minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes. Essa agenda reforça o desejo dos dois países de expandir a parceria econômica.
O evento contou ainda com a participação do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de empresários e representantes do governo sul-coreano. Os setores contemplados envolvem automotivo, tecnologia, saúde, alimentos e indústria pesada.
Perspectivas para comércio e investimentos
Os investimentos sul-coreanos no Brasil somam US$ 8,9 bilhões, e Alckmin frisou que o Brasil busca avançar além da exportação de matérias-primas, apostando em industrialização, transferência tecnológica e engenharia conjunta. Ele também destacou o interesse em fortalecer cooperação em infraestrutura, tecnologia e minerais críticos.
O vice-presidente citou vantagens competitivas brasileiras para atrair investimentos em inteligência artificial e centros de dados, especialmente a matriz elétrica renovável, a disponibilidade hídrica e a estabilidade regulatória.
Setor aeroespacial e tecnologia
Na área aeroespacial, enfatizou-se a parceria entre os países, lembrando que a Coreia do Sul foi a primeira na Ásia a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer. Está prevista para setembro o lançamento de um foguete sul-coreano a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Brasil.
Comércio e investimentos sul-coreanos
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que o comércio brasileiro representa cerca de 1% dos US$ 600 bilhões importados pela Coreia anualmente, apontando margem para ampliação da participação brasileira. Ele ressaltou oportunidades em proteínas animais, frutas, café, biocombustíveis, aeronáutica, defesa, mineração, indústria farmacêutica, química e tecnologia.
Müller também mencionou que cerca de 40% do café consumido na Coreia é do tipo especial e produzido no Brasil, destacando o país asiático como um dos maiores consumidores per capita da bebida.
Declarações do ministro Márcio Elias Rosa
O ministro do MDIC ressaltou a presença de empresas sul-coreanas no Brasil, como Samsung, LG e Posco, e os investimentos geradores de emprego. Ele também citou parcerias já estabelecidas em setores como petróleo, defesa e construção naval, além da colaboração entre Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI).
Sobre inovação, destacou que inteligência artificial e soberania digital figuram entre as prioridades do governo brasileiro, alinhadas aos interesses da Coreia do Sul. O ministério se colocou disponível para ampliar o diálogo sobre propriedade intelectual, tema apontado como preocupação da delegação sul-coreana.
Rosa também indicou caminhos para cooperação em descarbonização, biocombustíveis e agronegócio, ressaltando que etanol, bioetanol e biogás unem competitividade econômica e redução de emissões. Citou ainda o potencial para expandir a integração no setor de cosméticos, que atualmente exporta pouco para a Coreia do Sul, apesar da relevância do mercado.
Negociações comerciais e relações multilaterais
Ao ser questionado sobre possíveis impactos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, Alckmin informou que o tema não foi discutido na reunião. Ele destacou que o Mercosul vive um momento positivo e lembrou a conclusão de acordos com Singapura, países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e União Europeia.
Alckmin mencionou ainda o interesse da Coreia do Sul em avançar nas negociações de um acordo comercial com o Mercosul. Sobre tarifas americanas consideradas injustas, afirmou que o Brasil mantém negociações para revertê-las e não abandonou a mesa de diálogo.
O vice-presidente abordou a possibilidade de adoção da reciprocidade comercial, esclarecendo que não se trata de retaliação, mas de uma alternativa a ser considerada.
