O Banco de Brasília (BRB) e a gestora Quadra Capital decidiram, de forma consensual, suspender as negociações para a venda e transferência de até R$ 15 bilhões em ativos relacionados ao Banco Master. As divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros foram apontadas como motivo para o encerramento do acordo.
Contexto da negociação
O acordo, iniciado em abril, previa a estruturação de um fundo de investimento para administrar e monetizar os ativos atualmente mantidos pelo BRB, originados de operações com o Banco Master. Parte do valor seria paga à vista e outra convertida em cotas do fundo. No entanto, o BRB informou que as tratativas foram finalizadas após o término do período previsto para negociação.
Crise decorrente das operações com Banco Master
O BRB está enfrentando uma crise provocada por transações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que totalizam R$ 30 bilhões. Conforme dados do próprio banco, pelo menos R$ 8,8 bilhões desses créditos são considerados fraudulentos, inexistentes ou de difícil recuperação.
O governo do Distrito Federal declarou que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses créditos problemáticos, mas que precisará de um empréstimo para os restantes R$ 6,6 bilhões. Uma lei autorizando esse empréstimo foi sancionada em 24 de junho, após acordo firmado no Supremo Tribunal Federal.
Investigações e desdobramentos
Em novembro de 2025, a Polícia Federal desencadeou a operação Compliance Zero, que aponta um esquema de fraudes financeiras envolvendo essas operações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF acusa o ex-executivo de permitir negócios com o Banco Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O BRB destacou que permanece com posição de liquidez adequada e capacidade operacional para continuar suas atividades e implementar sua estratégia de negócios.
Com informações de g1.globo.com.
