Los Angeles vive nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, uma agitação histórica com o jogo de abertura dos Estados Unidos contra o Paraguai — a primeira partida americana na competição, 32 anos após a região sediar a Copa do Mundo FIFA. O entusiasmo nas ruas contrasta com a frustração de torcedores barrados pelos preços nas plataformas de revenda.
A história de Juan Cortes resume o paradoxo deste Mundial. O mecânico mexicano-americano enfeitou sua oficina em Los Angeles com as bandeiras dos Estados Unidos e do México para celebrar o retorno do torneio à Califórnia. Mora e trabalha a poucos quilômetros do estádio. Mesmo assim, não assistirá a nenhum jogo: os valores cobrados pelos ingressos estão fora do alcance de torcedores comuns como ele.
Ingressos para a partida entre EUA e Paraguai ainda apareciam em plataformas de revenda menos de 12 horas antes do apito inicial — mas a preços que a maioria da população não consegue pagar. O mercado secundário de bilhetes, historicamente inflacionado em grandes eventos esportivos, atingiu níveis que excluem justamente os fãs mais dedicados.
Preços de ingressos excluem torcedores do Mundial em Los Angeles
Cortes foi direto ao falar sobre o que sente.
“Eu gostaria que nos ajudassem, para que pessoas como nós, que curtem o jogo e têm paixão pelas suas seleções, pudessem ver nossos ídolos jogar. Não é todo dia que tenho a chance de ver uma Copa do Mundo no meu país.”
Juan Cortes, torcedor mexicano-americano e proprietário de oficina mecânica em Los Angeles
A fala de Cortes expõe a tensão entre o gigantismo comercial que a FIFA impõe ao evento e a realidade socioeconômica das comunidades nas cidades-sede. Los Angeles, com sua enorme população latina e tradição futebolística, seria o cenário natural para uma festa popular. Na prática, o acesso às arenas ficou restrito a consumidores de alto poder aquisitivo e a turistas estrangeiros com câmbio favorável.
Apesar de ficar fora das arquibancadas, Cortes não perdeu o ânimo. Ficou eufórico ao ver o ônibus da delegação paraguaia passar em frente à sua oficina — um momento que descreveu como emocionante. A cena ilustra como o impacto da Copa chega de formas distintas a cada camada da população local.
Copa do Mundo 2026 nos EUA: contexto histórico e impacto nas cidades-sede
O retorno do torneio aos Estados Unidos, três décadas após 1994, é um dos maiores eventos esportivos já organizados no país. Naquele ano, a Copa em solo americano foi sucesso de público e impulsionou o crescimento do futebol no país — legado que resultou diretamente na criação da Major League Soccer em 1995. A expectativa para 2026 é de impacto ainda maior, dado o crescimento do esporte nas últimas três décadas.
Los Angeles tem raízes profundas no futebol, alimentadas pela grande comunidade latina da região. Bairros como o de Cortes vivem o esporte com intensidade diária, muito além dos dias de Copa. A ironia é que essas comunidades são as mais afastadas das arenas pelos preços praticados, enquanto a cidade serve de vitrine global para o evento.
- 8 partidas em Los Angeles: a cidade californiana é uma das principais sedes do torneio, com jogos da fase de grupos até as fases eliminatórias
- Jogo de abertura dos EUA: Estados Unidos x Paraguai, em 12 de junho de 2026, marca o início da campanha americana no Mundial
- 32 anos de espera: desde 1994, Los Angeles não recebia partidas de Copa do Mundo FIFA
- Ingressos em revenda: bilhetes disponíveis em plataformas secundárias menos de 12 horas antes do kickoff, a preços elevados
- Três países co-anfitriões: Estados Unidos, Canadá e México dividem a organização do torneio
O problema dos ingressos não é exclusivo de Los Angeles. Em outras cidades-sede, a FIFA já acumulou críticas pela política de distribuição e precificação dos bilhetes, que favorece patrocinadores corporativos e revendedores autorizados em detrimento do torcedor comum. No caso americano, a questão ganhou contornos adicionais: políticas de imigração e vistos do governo dificultaram a chegada de torcedores estrangeiros ao país.
O que esperar dos próximos dias: EUA na Copa e a festa das ruas californianas
Com o duelo entre EUA e Paraguai abrindo as atividades da seleção americana, a expectativa em Los Angeles é que as celebrações extrapolem os estádios. Bares, restaurantes e espaços públicos devem reunir multidões para as transmissões — uma atmosfera de Copa para quem, como Juan Cortes, vai acompanhar tudo por telas. A cidade vive uma festa em dois registros: grandiosa nas arenas para quem tem ingresso, vibrante nas ruas para todos os demais.
A seleção americana de futebol entra em campo com a pressão de jogar em casa e atender às expectativas de uma nação que, em 1994, descobriu ou redescobriu o futebol ao sediar o torneio. A partida contra o Paraguai é mais do que um confronto de fase de grupos: abre uma narrativa que pode definir o legado do esporte nos Estados Unidos por mais uma geração.
Nas próximas semanas, Los Angeles recebe outros sete jogos do Mundial. Para torcedores como Cortes, cada ônibus de delegação que passar pela rua, cada bandeira hasteada e cada gol transmitido ao vivo será uma forma de participar de um evento que, apesar de acontecer a poucos quilômetros de casa, permanece — do lado de dentro das arquibancadas — fora de alcance.
