Olívia Trujillo, costureira de Tlalpan, na periferia da Cidade do México, é a artesã responsável pelo guarda-roupa da presidente Claudia Sheinbaum. Com 50 anos de ofício e bordados feitos à mão, ela mantém uma oficina nos fundos de casa. A parceria com Sheinbaum começou dois anos antes de a política assumir a presidência.
Olívia aprendeu a costurar aos 10 anos e nunca largou a agulha. Casada há 47 anos com José, ela trabalha em casa com rotina discreta: ouve Roberto Carlos no fundo do ateliê improvisado e produz peças que chegaram aos palácios do poder mexicano.
Entre os trabalhos mais conhecidos está o vestido de casamento de Claudia Sheinbaum, encomendado antes de ela se tornar chefe de Estado. A escolha da presidente por uma costureira periférica foi um gesto deliberado de valorização da moda popular mexicana e dos saberes tradicionais das comunidades.
Bordados artesanais como símbolo de identidade cultural mexicana
Os vestidos de Olívia têm bordados artesanais feitos à mão e cores vibrantes que remetem à estética consagrada por Frida Kahlo, artista mexicana e ícone mundial de orgulho cultural. Enquanto Frida eternizou esse visual na pintura, Olívia o mantém vivo na moda do cotidiano.
As duas mulheres nasceram e criaram raízes na mesma cidade, dentro da mesma tradição de resistência feminina. As peças que saem do ateliê de Olívia carregam influências de diferentes regiões do México, com padrões que variam conforme a origem dos tecidos e das linhas usadas.
A visibilidade conquistada com a parceria trouxe reconhecimento nacional a um trabalho que por décadas existiu longe dos holofotes. Ao aparecer em eventos oficiais com vestidos de uma costureira de Tlalpan, a presidente leva consigo uma mensagem clara sobre a produção artesanal e a cultura popular mexicana.
“Aprendi a costurar aos dez anos e nunca parei. É o que sei fazer, é o que me dá vida.”
Olívia Trujillo, costureira e artesã, Tlalpan, Cidade do México
Cinco décadas de ofício: da periferia de Tlalpan ao guarda-roupa presidencial
A trajetória de Olívia Trujillo percorre cinco décadas do artesanato popular mexicano. Veja os marcos principais:
- Início do aprendizado (década de 1970): Olívia aprende costura aos 10 anos, com técnicas transmitidas de forma oral e prática dentro da própria família.
- Construção do ateliê doméstico: Com o tempo, estrutura um espaço de trabalho nos fundos da casa em Tlalpan, onde produz todas as suas peças até hoje.
- Parceria com Claudia Sheinbaum (2022-2023): Dois anos antes da posse presidencial, começa a confeccionar peças para Sheinbaum, incluindo o vestido de casamento da futura presidente.
- Reconhecimento nacional (2024 em diante): Com Sheinbaum na presidência, os vestidos de Olívia aparecem em eventos oficiais e passam a representar identidade cultural e política.
- Repercussão internacional: A história de Olívia chega ao público brasileiro, ampliando o alcance do trabalho artesanal mexicano além das fronteiras do país.
Trabalhar ouvindo Roberto Carlos é uma escolha que Olívia nunca precisou justificar. A música do cantor brasileiro virou trilha sonora de um ateliê onde a tradição mexicana se borda ponto a ponto, linha a linha.
Durante a visita ao ateliê, a repórter Sandra Annenberg ganhou um presente inesperado: Olívia confeccionou um modelo exclusivo para ela usar na reportagem. A cena mostra que o trabalho da costureira vai além da moda — é uma forma de acolhimento e de comunicação entre culturas.
A história de Olívia Trujillo dialoga com o movimento global de valorização da moda sustentável e do artesanato local. Grandes marcas de luxo cobram fortunas por peças inspiradas em culturas tradicionais. Olívia produz diretamente na fonte, sem intermediários, preservando técnicas centenárias e mantendo o valor do trabalho artesanal com quem realmente o domina.
Com a exposição gerada pela parceria com Sheinbaum, Olívia deve ampliar sua clientela e sua produção. Sua trajetória aponta um caminho concreto para outras costureiras e artesãs mexicanas: a tradição popular não apenas sobrevive como vira símbolo de um país inteiro.
