Em junho de 2026, a dívida do setor público consolidado no Brasil atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), totalizando aproximadamente R$ 10,8 trilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central. Esse indicador, que reúne as obrigações financeiras da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, serve como parâmetro para avaliar a capacidade do país em honrar compromissos futuros.
Relação dívida/PIB e impactos econômicos
O aumento da dívida pública representa maior risco em períodos de crise e pode influenciar diretamente as taxas de juros, elevando o custo do crédito para empresas e limitando o crescimento econômico. Segundo o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, os juros elevados no Brasil estão relacionados ao alto endividamento do país.
Considerando o critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui títulos públicos na carteira do Banco Central, a dívida brasileira alcançou 95,8% do PIB em junho, aproximando-se do recorde histórico de 96,7% registrado em fevereiro de 2021. Desde o início da série histórica em 2001, quando estava em torno de 67% do PIB, o endividamento cresceu significativamente.
Comparações internacionais e recomendações
Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de 2023 sugeriu que os países da América Latina e Caribe reduzam a dívida pública para entre 46% e 55% do PIB, para aumentar a confiança dos investidores e possibilitar a diminuição das taxas de juros, beneficiando a atividade econômica e o emprego.
Em 2023, Roberto Campos Neto também destacou que a comparação da dívida brasileira deve ser feita com outras nações emergentes. Por outro lado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o Brasil apresenta diferenciais como a quase ausência de dívida em dólar e um mercado financeiro doméstico desenvolvido, justificando níveis distintos de endividamento.
Evolução histórica da dívida pública
A dívida pública brasileira manteve estabilidade até 2014, último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. A partir de 2015, no começo do segundo mandato dela, houve um salto de 10 pontos percentuais, seguido de aumento de seis pontos em 2016, ano em que a presidente sofreu impeachment.
Durante o governo Michel Temer, a dívida continuou a subir, atingindo seu ápice em 2020 sob a gestão de Jair Bolsonaro devido às despesas extraordinárias com a pandemia de Covid-19, que somaram mais de R$ 660 bilhões. Apesar disso, no balanço total do governo Bolsonaro, a dívida recuou de 87,1% do PIB em 2019 para 83,9% em 2022.
Gestão atual e desafios fiscais
No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a dívida subiu cerca de seis pontos percentuais em aproximadamente dois anos e meio. O crescimento das despesas públicas tem contribuído para a pressão sobre a taxa básica de juros.
A Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado Federal, estimou que para conter o avanço da dívida e reduzir os juros de forma sustentável, o governo precisaria registrar superávits primários superiores a 2% do PIB. Até o momento, apesar do aumento da carga tributária a patamares históricos, as contas públicas continuam no vermelho.
O mercado financeiro critica a estratégia do governo de elevar impostos enquanto amplia gastos, defendendo cortes de despesas para alcançar o equilíbrio fiscal e possibilitar uma queda consistente dos juros, o que é fundamental para o crescimento econômico.
Por sua vez, a equipe econômica aposta no “arcabouço fiscal” aprovado em 2023 para substituir o teto de gastos. No entanto, devido a exceções e despesas fora do orçamento, esse mecanismo ainda não tem gerado superávits primários nos últimos anos.
