Surto na República Democrática do Congo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) está se propagando em ritmo superior a qualquer outra epidemia anterior. Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, a crise do Ebola entre 2018 e 2020 na RDC levou mais de 10 meses para atingir 2 mil casos confirmados. No entanto, na atual onda da doença, o número ultrapassou 2 mil em apenas dois meses, incluindo 796 óbitos.
Com esse avanço, o surto atual é considerado o terceiro maior já registrado. Ghebreyesus ressaltou que nos últimos 30 dias a expansão da doença foi mais rápida do que em qualquer surto anterior. Na quinta-feira, a RDC notificou 62 novos casos, elevando o total para 2.073, embora a OMS acredite que o número real possa ser pelo menos o dobro.
O 17º surto de Ebola na RDC foi declarado no dia 15 de maio após mortes em Ituri, uma província rica em minerais e que sofre com a presença de grupos armados. Até o momento, a doença foi detectada em cinco províncias do país e também em Uganda, com a maior concentração de casos ainda em Ituri.
O diretor da OMS destacou que mais de 80% dos novos casos não estavam em listas de contatos monitorados, indicando que há ainda cadeias de transmissão não identificadas. Ele também informou que 377 pessoas já se recuperaram do vírus, reforçando que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para superar a doença.
Na região de Ituri, uma paralisação de trabalhadores da saúde complicou ainda mais a situação. Na quarta-feira, eles bloquearam a entrada do Hospital Geral de Bunia em protesto pela falta de pagamento pelos serviços prestados desde o início do surto, em condições adversas.
Situação em Uganda
Enquanto isso, Uganda demonstra sinais positivos ao liberar o último paciente com Ebola, um cidadão congolês que recebeu alta na quinta-feira. Com essa medida, o país inicia o período de 42 dias sem casos para que possa ser oficialmente declarado livre da doença, segundo o Ministério da Saúde ugandense.
Desde meados de maio, Uganda registrou 20 casos da rara cepa Bundibugyo do Ebola, sendo que 15 pessoas foram contaminadas na RDC antes de cruzar a fronteira. O país não notifica novas infecções desde 22 de junho, o que reforça a expectativa de controle da epidemia.
Em mensagem publicada na rede social X, o ministério de Uganda afirmou que o paciente liberado está recuperado e pronto para reencontrar sua família, dando início à contagem regressiva para a declaração de erradicação do vírus no território nacional.
Com informações de www.aljazeera.com.
