As recentes tarifas de 25% aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros geram um impacto estimado de US$ 7,4 bilhões, cerca de 18% das exportações brasileiras para aquele país, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Essa medida, que entrou em vigor em 22 de julho de 2026, tem levado empresas nacionais a buscar alternativas para reduzir a dependência do mercado americano.
Desafios da diversificação e reação dos setores
Especialistas ouvidos pelo g1 destacam que diversificar mercados não é uma solução rápida, pois demanda tempo, investimentos e a construção de relações comerciais sólidas. Cândida Cervieri, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), informa que cerca de 30% das exportações do setor vão para os EUA. Ela ressalta ainda que a concorrência global aumenta, já que diversos países também enfrentam tarifas americanas e buscam novos destinos para suas exportações.
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), comenta que algumas empresas conseguiram negociar com importadores para que o custo das tarifas fosse dividido, mas reconhece que o impacto financeiro permanece preocupante.
Diálogo diplomático e medidas internas
Representantes industriais enfatizam a necessidade de manter o diálogo com o governo dos EUA e interlocutores brasileiros no país. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), defende a busca por negociações e lembra da possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, permitindo retaliações contra países que imponham barreiras comerciais ao Brasil.
Também há esforços para fortalecer a indústria nacional e ampliar sua presença no mercado interno, diante da concorrência crescente das importações. José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), reuniu-se com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir medidas emergenciais que preservem a competitividade das exportações brasileiras.
Impacto das importações e desafios internos
Fernando Pimentel destaca que as importações aumentaram em 2026, tanto por vias tradicionais quanto por plataformas eletrônicas internacionais. Ele afirma que, além de expandir internacionalmente, é necessário enfrentar o ‘custo Brasil’ e outras barreiras internas que dificultam a evolução das empresas nacionais.
Contexto das tarifas e próximas ações dos EUA
A tarifa adicional de 25% foi resultado de investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e inclui uma lista extensa de exceções. O governo brasileiro classificou a decisão como sem justificativa econômica e motivada por questões políticas.
Na mesma semana, o representante comercial americano Jamieson Greer anunciou, em entrevista à CNBC, que novas tarifas entre 10% e 12,5% devem ser aplicadas a cerca de 60 países considerados insuficientes no combate à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
