Aumento dos preços do alumínio em meio a tensões no Oriente Médio

O preço do alumínio está se aproximando de seu maior valor em quatro anos, impulsionado por preocupações persistentes sobre o fornecimento no Oriente Médio, mesmo após a assinatura de um acordo de cessar-fogo na terça-feira. Com a instabilidade na região, empresas japonesas estão explorando fontes alternativas de fornecimento, como Austrália e Rússia, embora essa transição exija tempo e apresente riscos significativos.

Cenário atual do mercado de alumínio

Os países do Oriente Médio controlam uma parte significativa dos mercados globais de petróleo bruto e gás natural, utilizando seus recursos energéticos a baixo custo para se concentrar na produção de alumínio, que atualmente representa cerca de 10% da produção mundial. Desde o início dos ataques dos estados unidos e israel ao Irã, o Estreito de Ormuz — uma rota vital para o transporte de recursos energéticos — encontra-se praticamente fechado.

Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, donald trump, anunciou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, mas especialistas preveem que as dificuldades no fornecimento continuarão mesmo após a reabertura do estreito. Interrupções na cadeia de suprimentos de bauxita, o principal minério utilizado na produção de alumínio, já forçaram paradas parciais em refinarias de países como Qatar e bahrein. Alguns atacadistas japoneses alertaram que, após a paralisação, essas refinarias podem levar um tempo considerável para retomar a produção, o que sugere que as preocupações com o abastecimento podem perdurar.

Impacto das tensões geopolíticas na produção de alumínio

No final de setembro, a Emirates Global Aluminum, uma das principais produtoras de alumínio dos Emirados Árabes Unidos, informou que uma de suas refinarias sofreu danos devido a um ataque iraniano. A empresa estimou que a unidade poderá levar até um ano para ser totalmente restaurada, o que pode agravar ainda mais a escassez de alumínio.

Desde o início das tensões, os preços globais do alumínio têm mostrado uma tendência de alta. Na terça-feira, os contratos futuros de três meses estavam cotados a US$ 3.476 por tonelada métrica na bolsa de Metais de Londres (LME), representando um aumento de aproximadamente 10% desde março. Esses valores se aproximam da máxima histórica de março de 2022, que foi de US$ 4.073,5.

O Japão, que depende totalmente de importações para suprir suas necessidades de alumínio, obtém a maior parte do metal de países como Austrália e brasil, mas também é fortemente dependente do Oriente Médio. Em 2025, cerca de 30% de todas as importações japonesas de lingotes de alumínio, incluindo ligas, vieram da região, conforme dados do governo.

Busca por alternativas no fornecimento de alumínio

A interrupção prolongada das importações de alumínio do Oriente Médio pode afetar a fabricação de produtos essenciais, como automóveis e materiais para conservas. Em resposta, várias empresas japonesas estão diversificando suas fontes de fornecimento. A Resonac Holdings, por exemplo, está redirecionando suas compras do metal do Oriente Médio para países como Austrália, África do Sul e Indonésia.

Outras empresas, como a UACJ e a Nippon Light Metal Holdings, que anteriormente importavam alumínio via Estreito de Ormuz, também estão considerando alternativas. A UACJ, embora tenha algum estoque, pode buscar novas fontes no futuro.

Desafios na adaptação ao novo cenário de fornecimento

Enquanto grandes empresas estão conseguindo fazer mudanças mais rapidamente, as pequenas e médias empresas podem enfrentar dificuldades para se adaptar. O alumínio é frequentemente combinado com diversos ingredientes para aplicações específicas, e muitas dessas empresas menores dependem de ligas produzidas em refinarias do Oriente Médio, o que torna a troca de fornecedores um desafio em curto prazo.

Algumas empresas estão começando a considerar o alumínio russo, embora as importações do país tenham diminuído desde a invasão da Ucrânia. Um representante do escritório japonês da Rusal, uma das principais produtoras russas de alumínio, afirmou que a demanda por informações sobre suas especificações tem crescido entre as empresas japonesas. Em 2025, a Rússia representava 5% da produção mundial de alumínio, ficando atrás apenas da china e da Índia, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

Após a invasão da Ucrânia em 2022, países ocidentais iniciaram uma campanha para restringir as importações de alumínio da Rússia, com o objetivo de evitar o financiamento das atividades bélicas. O Japão seguiu essa tendência e reduziu drasticamente suas importações, comprando pouco menos de 70 mil toneladas do metal russo em 2025, uma queda de 90% em relação a 2021.

Consequências do fechamento do Estreito de Ormuz

Embora a maior parte das exportações russas de alumínio seja transportada para o resto da Ásia pela Ferrovia Transiberiana, limitando o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz, a transição para o alumínio russo não é simples. “O aumento das importações de alumínio da Rússia pode resultar em críticas de países ocidentais”, observou Takayuki Homma, da Sumitomo Corp. Global Research. Ele alertou que empresas que operam em diversos mercados precisarão ter cautela.

Além disso, essa questão apresenta uma barreira psicológica significativa para os consumidores. “Parece que algumas empresas estão buscando maneiras de utilizar produtos russos com a aprovação dos usuários finais”, comentou um representante de uma empresa comercial. No entanto, os riscos associados, como a possibilidade de suspensão de transações bancárias, provavelmente representarão obstáculos a essas iniciativas.

Desde o início do conflito na Ucrânia, uma parte considerável das exportações russas de alumínio tem sido direcionada à China, que continua sendo o maior consumidor do material. Apesar das sanções impostas à Rússia, o país ainda mantém compradores para seu alumínio, e não parece enfrentar um excedente preocupante. Um analista de uma instituição financeira japonesa destacou que as compras contínuas da China têm sido um fator estabilizador para o mercado.

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