Aumento da Violência Juvenil em israel: A Resposta do Ministro da Segurança Nacional
Na sequência de relatos sobre o aumento da violência juvenil, que inclui o assassinato do ex-soldado israelense Yemanu Binyamin Zalka, de 21 anos, ocorrido na semana passada, o Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, fez um pronunciamento contundente. Ele declarou: “Esta será uma guerra total”, enquanto anunciava uma operação nacional destinada a combater a escalada da violência entre os jovens. O ministro enfatizou que a segurança nas ruas seria restaurada e a tranquilidade devolvida aos pais. “Qualquer um que prejudicar civis israelenses enfrentará a mão forte da Polícia de Israel e pagará um preço alto”, afirmou.
Críticas à Resposta do governo
A resposta de Ben-Gvir foi considerada incisiva e alinhada ao apoio à vítima, prometendo uma solução para a crise de segurança. No entanto, críticos apontam que essa postura contrasta fortemente com a inação do ministro diante da epidemia de violência que aflige cidades e vilarejos israelenses habitados por palestinos. Este cenário já resultou na morte de quase 100 pessoas e, conforme dados do próprio ministério da Fazenda de Israel, o custo dessa violência para o país chega a impressionantes US$ 6,7 bilhões por ano.
As alegações de policiamento desigual, que afetam o que os israelenses se referem como “setor árabe”, têm sido uma constante nas críticas à polícia israelense ao longo de décadas. Contudo, a situação se agravou sob a atual administração do primeiro-ministro benjamin netanyahu, que está no poder desde o final de 2022, e de Ben-Gvir, um político de extrema-direita responsável pela polícia.
Estatísticas Alarmantes
Desde que Ben-Gvir assumiu o cargo, as estatísticas corroboram a narrativa de que a onda de crimes nas comunidades palestinas aumentou significativamente. O jornal israelense Haaretz revelou que a taxa de homicídios nas comunidades palestinas em Israel saltou de 4,9 por 100.000 habitantes em 2020 para 11 por 100.000, colocando-a em níveis comparáveis aos de países como Sudão e iraque. Em contraste, a taxa de homicídios na sociedade judaica israelense é de aproximadamente 0,6 por 100.000.
Embora esse aumento não possa ser totalmente atribuído ao governo atual — já que Netanyahu era primeiro-ministro em 2020, quando a taxa era mais baixa —, críticos argumentam que a inclusão de figuras como Ben-Gvir e o ministro da Fazenda, Bezalel Smotrich, que demonstram desdém aberto pelos palestinos, contribuiu para o acirramento da violência.
Análise da Situação Atual
Especialistas e analistas consultados pela Al Jazeera não hesitaram em atribuir a culpa ao governo Netanyahu pela elevação da taxa de homicídios. A deputada Aida Touma-Suleiman, membro palestina do partido Hadash e crítica da falta de policiamento nas comunidades palestinas em Israel, afirmou: “Eles realmente não se importam que palestinos estejam se matando, pois foram deixados a fazer isso por anos”. Ela criticou a ausência de uma presença policial efetiva nos bairros árabes, ressaltando que a abordagem é hostil e voltada para a repressão.
Enquanto as estações de polícia são comuns nas áreas de maioria judaica em Israel, existem apenas cerca de 10 em áreas com maioria palestina. Uma das decisões que mais indignaram grupos de defesa dos direitos palestinos foi a aprovação, em dezembro, de um corte de US$ 68,5 milhões em um programa de desenvolvimento econômico para comunidades palestinas, destinado a financiar um aumento no policiamento.
desigualdade Estrutural e pobreza
Os cidadãos palestinos de Israel representam cerca de 21% da população do país. Economicamente desfavorecidos, são descendentes de palestinos que não fugiram após a criação de Israel em 1948 — um evento que eles conhecem como Nakba, quando aproximadamente 750.000 palestinos foram forçados a deixar suas terras. Frequentemente concentrados em cidades e vilarejos separados dos israelenses judeus, os palestinos enfrentam uma realidade de crônica falta de investimento, com a presença do estado sendo limitada ou inexistente.
Analistas afirmam que o desemprego sempre fez parte da vida diária desses cidadãos, mas a situação se agravou desde que Israel restringiu o acesso à Cisjordânia ocupada, onde muitos palestinos trabalhavam, após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro e o início da guerra em Gaza em 2023. Os dados mais recentes, baseados em estimativas de 2024, indicam que 37,6% das famílias palestinas em Israel vivem abaixo da linha da pobreza.
crescimento das Redes Criminosas
Nos últimos anos, redes criminosas nas cidades e vilarejos palestinos em Israel cresceram em escala e influência, em alguns casos assumindo características de organizações mafiosas, sem serem incomodadas pelo governo atual. Daniel Bar-Tal, professor de psicologia social e política da Universidade de Tel Aviv, afirmou que existe uma ampla rede de gangues criminosas que exercem controle sobre os bairros árabes. Ele também destacou que a criminalidade e até mesmo homicídios são permitidos devido à cumplicidade do Estado.
“Em parte, o governo simplesmente se beneficia disso. Eles podem dizer: ‘Olha, isso é cultura árabe, isso é a sociedade árabe. É assim que eles agem’”, disse Bar-Tal, referindo-se a relatos de amigos que relataram atividades criminosas em seus bairros e foram ignorados. “E, por último, isso se deve ao fato de que a força policial está sob o controle de Ben-Gvir, um racista que se deleita em desumanizar a sociedade árabe.”
Críticas à Atuação de Ben-Gvir
Ben-Gvir já rejeitou acusações de racismo, afirmando que está apenas contra aqueles que prejudicam os judeus. Suas ações, que vão desde o apoio ao genocídio em Gaza até a defesa de oficiais que foram filmados estuprando uma prisioneira palestina, têm gerado descontentamento entre muitos dos liberais autodenominados de Israel, assim como chocado observadores ao redor do mundo.
Com o aumento da criminalidade em Israel, as críticas à atuação de Ben-Gvir como ministro da Segurança Nacional começaram a ganhar espaço na mídia. Além de artigos de opinião mais previsíveis na imprensa liberal israelense, que o acusam de estar “ocupado no TikTok” enquanto Zalka era assassinado, ou de focar seus esforços em prender professores que usam bandeiras palestinas em seus quipás, também surgiram críticas de figuras próximas ao establishment.
No início deste mês, o Supremo Tribunal de Israel interveio em uma disputa entre Ben-Gvir e a procuradora-geral Gali Baharav-Miara, ordenando que ambos chegassem a um entendimento após Baharav-Miara solicitar a sua destituição, alegando tentativas de intervenções políticas no trabalho da polícia.
“Ninguém se importa se Ben-Gvir é bom em seu trabalho”, afirmou o cientista político Ori Goldberg. “Ele está lá para punir os palestinos, mesmo aqueles em Israel. Eles são punidos pela falta de segurança, assim como são punidos por meio de planejamentos hostis, e a falta de acesso à saúde os penaliza. É assim que o apartheid em Israel sempre funcionou.”
