Representantes dos países do Golfo, durante uma reunião emergencial na Genebra, expressaram preocupação com os ataques do Irã em seus territórios, considerando-os uma grave violação da soberania estatal. O alerta foi reforçado pelo chefe de direitos humanos da onu, Volker Turk, que afirmou que a situação no Oriente Médio está se aproximando de uma “catástrofe incontrolável”, à medida que o conflito entre estados unidos e israel contra o Irã se aproxima de um mês.

O embaixador da Arábia Saudita na ONU, Abdulmohsen Majed bin Khothaila, criticou os ataques iranianos, ressaltando que os países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) estão sendo alvos, mesmo sem estarem envolvidos nas hostilidades. “Os ataques do Irã violam a Carta da ONU e o direito internacional. Precisamos nomear as coisas como realmente são”, declarou.

Ele acrescentou que agredir um vizinho é uma afronta aos princípios de boas relações. “Atacar um mediador trai todos os esforços de paz e prejudica qualquer iniciativa construtiva. Os ataques a estados que não participam do conflito são inaceitáveis e injustificáveis”, afirmou.

A representante do catar na ONU, Hend bint Abd al-Rahman al-Muftah, também se manifestou, dizendo que os ataques iranianos têm “consequências graves”, afetando não apenas a paz e a segurança globais, mas também os direitos humanos. “Esses ataques são uma grande preocupação para nós, e não podemos mais permanecer em silêncio”, declarou.

Ela destacou que os ataques a plantas de eletricidade e dessalinização acarretam sérios danos ambientais e comprometem direitos que deveriam ser garantidos. Al-Muftah ainda mencionou que o fechamento de fato do Estreito de Hormuz é alarmante, dado seu impacto potencial na economia e nas rotas de suprimento.

O embaixador do kuwait, Naser Abdullah Alhayen, afirmou que a região do Golfo enfrenta uma ameaça existencial à segurança internacional e regional. “Essa abordagem agressiva está minando o direito internacional e a soberania”, enfatizou.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Turk, alertou que a guerra criou uma situação “extremamente perigosa e imprevisível”, levando o Oriente Médio a uma “catástrofe incontrolável”. “A única maneira garantida de evitar isso é acabar com o conflito, e insto todos os estados, especialmente aqueles com influência, a fazerem tudo o que puderem para alcançar isso”, pediu.

Reportando de Dubai, Zein Basravi, da Al Jazeera, mencionou que os países do GCC buscam um papel nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã. “Enquanto o Irã busca garantias do EUA e de Israel, os estados do Golfo também estarão em busca de garantias do Irã”, afirmou. Basravi observou que, embora o número de ataques em países do Golfo tenha diminuído nos últimos dias, um pequeno ataque ainda pode causar interrupções significativas, como as que ocorreram no início do conflito.

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