Nos últimos anos, o Brasil tem registrado uma crescente procura por imóveis por parte de estrangeiros, especialmente em áreas como a Zona Sul do Rio de Janeiro e o litoral de Santa Catarina. A busca não se limita a uma opção de hospedagem, mas configura-se principalmente como um investimento, gerando impacto direto nos preços do aluguel e motivando discussões sobre possíveis regulamentações.

Recorde no turismo e mudança no perfil dos compradores

Em 2025, o país atingiu um novo recorde ao receber 9,2 milhões de visitantes estrangeiros, volume que nos primeiros cinco meses de 2026 já somava 4,9 milhões. O interesse por estadias de longa duração cresceu, impulsionado pelo aumento do trabalho remoto e pela atuação dos nômades digitais, com destaque para cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis.

Para atrair esses profissionais, a prefeitura do Rio lançou em 2021 um programa específico. Claudio Hermolin, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio), destaca que cerca de 30% dos imóveis compactos novos em bairros como Ipanema e Leblon são adquiridos por estrangeiros.

Perfil dos investidores e fatores que estimulam a aquisição

Em Florianópolis, levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Santa Catarina (Creci-SC) apontou que 83% das vendas de apartamentos na planta foram para argentinos. Americanos e europeus, especialmente franceses e suíços, também estão entre os investidores, e tem crescido o interesse de compradores dos Emirados Árabes Unidos.

Marco Aurélio Lievore, diretor regional de relações internacionais do Creci-SC, ressalta que a valorização cambial e a facilidade para obtenção de residência tornam o Brasil atraente para esses compradores. A resolução do Conselho Nacional de Imigração permite que estrangeiros que adquiram imóveis a partir de R$ 1 milhão com recursos externos solicitem autorização de residência, ampliando ainda mais o apelo do mercado nacional.

Influência das plataformas digitais e impacto no mercado imobiliário

O avanço de plataformas digitais facilitou a compra e gestão de imóveis por investidores internacionais, como destaca a empresa Lobie, que viu a participação de estrangeiros em sua carteira saltar de 2% para 18% em três anos. Atualmente, a companhia administra cerca de 1.620 estúdios pertencentes a investidores estrangeiros.

Essa modalidade oferece vantagens, pois o imóvel pode ser usado pelo comprador em períodos de férias e grandes eventos, além de gerar renda em sua ausência, conforme explica Hermolin.

Crescimento de anúncios em plataformas de aluguel e pressão sobre o mercado local

O Brasil é o terceiro país com maior número de anúncios no Airbnb, atrás dos Estados Unidos e França, apresentando um dos crescimentos mais acelerados do mundo. Desde 2022, os anúncios mais do que dobraram em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, que contam respectivamente com mais de 60 mil e 36 mil ofertas na plataforma.

Outras cidades litorâneas catarinenses também apresentam alta concentração. Bombinhas, por exemplo, tem cerca de 10 mil anúncios para uma população estimada de 25 mil habitantes, chegando ao topo da lista nacional em densidade de anúncios por km², seguida por Balneário Camboriú, onde 16% dos apartamentos de um lançamento de luxo já foram adquiridos por estrangeiros.

Esse aumento na oferta de imóveis para aluguel temporário tem contribuído para a elevação dos valores dos aluguéis, especialmente em regiões turísticas, o que potencialmente deve gerar pressão por regulamentações mais rigorosas.

Perspectivas futuras e desafios

O interesse estrangeiro no mercado imobiliário brasileiro segue crescendo, mesmo com mudanças no perfil dos turistas: enquanto em 2021 os estrangeiros representavam menos de 10% dos hóspedes em plataformas como o Airbnb, no ano passado esse índice ultrapassou 20%.

Apesar disso, ainda há desafios a serem enfrentados para equilibrar o mercado e garantir que o aumento da procura por imóveis não prejudique os moradores locais, especialmente no que diz respeito à oferta e preço dos aluguéis.

Com informações de g1.globo.com.

Compartilhar.

Meu nome é Felipe Bastos e sou redator especializado na produção de conteúdo jornalístico. Acompanho diariamente os principais acontecimentos do Brasil e do mundo, produzindo matérias sobre política, economia, segurança pública, esportes, tecnologia, entretenimento e outros temas de interesse geral, sempre com foco em informações precisas, atualizadas e relevantes. Acredito na importância de um jornalismo claro, responsável e acessível. Meu objetivo é transformar os principais acontecimentos em conteúdos objetivos e confiáveis, ajudando os leitores a compreenderem os fatos, acompanharem as notícias com confiança e se manterem sempre bem informados.