Uma investigação inicial realizada por pesquisadores da Universidade de Purdue avaliou como diferentes bebidas populares afetam a acidez da boca, evidenciando que água com gás sem açúcar apresenta impacto menos prejudicial aos dentes do que refrigerantes açucarados.

Entendendo a relação entre pH oral e desgaste dentário

O esmalte dentário começa a se dissolver quando o pH da boca cai para valores inferiores a 5,5. A pesquisa observou que, apesar da água com gás causar uma diminuição temporária do pH bucal, essa queda é menos intensa em comparação com a provocada pelos refrigerantes açucarados.

Wajiha Zulfiqar, estudante de pós-graduação em Ciência da Nutrição na Purdue, explicou que a substituição de refrigerantes pela água com gás sem adição de açúcar pode representar uma alternativa com menor risco, desde que acompanhada de hábitos adequados de higiene bucal e consumo moderado.

Metodologia e resultados do estudo

O estudo foi apresentado durante a conferência anual da American Society for Nutrition, realizada entre 25 e 28 de julho de 2026 em National Harbor, Maryland. Para comparar os efeitos das bebidas, 20 adultos consumiram, em momentos distintos, refrigerante açucarado, água com gás comum, água com gás fortificada com cálcio e água natural.

Os pesquisadores mediram o pH da saliva imediatamente após o consumo de cada bebida, procedimento que forneceu uma avaliação mais realista da resposta oral, ao invés de analisar apenas a acidez das bebidas isoladamente.

Os resultados indicaram que o refrigerante açucarado provocou a maior redução do pH salivar, especialmente nos primeiros 2 e 20 minutos após o consumo, mantendo valores significativamente mais baixos que os observados após a ingestão de água natural.

A água com gás sem açúcar causou uma diminuição temporária do pH no período de 2 minutos, enquanto a versão enriquecida com cálcio apresentou queda no pH após 5 minutos. Em ambas, o pH voltou próximo ao valor inicial em até 20 minutos, com a saliva atuando na neutralização da acidez.

Implicações para saúde bucal e próximos passos

Embora o estudo tenha se concentrado em alterações de curto prazo no pH bucal, os autores ressaltam que fatores como frequência de consumo, tempo de exposição dos dentes às bebidas e presença de açúcar também influenciam o risco de erosão dentária.

Zulfiqar enfatizou que a pesquisa reforça a possibilidade de reduzir a incidência de desgaste do esmalte ao optar pela água com gás sem açúcar em vez de refrigerantes açucarados. destacou o potencial para que a indústria de bebidas explore alternativas que diminuam o potencial erosivo.

Como continuidade, a equipe pretende investigar os efeitos prolongados do consumo de água com gás sobre a saúde bucal, incluindo aspectos que contribuem para a manutenção dos dentes e gengivas.

Este trabalho foi apresentado em 26 de julho durante a sessão de pôsteres de Nutrição Clínica II no Gaylord National Resort & Convention Center, e embora aprovado por comitê de especialistas para a conferência NUTRITION 2026, ainda aguarda revisão por pares para publicação em periódicos científicos.

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Com informações de www.sciencedaily.com.

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