Cientistas do City College de Nova York estão explorando um avanço na área de ciência quântica envolvendo materiais com espessura de apenas alguns átomos. Nesses sistemas, luz, carga elétrica e magnetismo não atuam de maneira separada, mas sim interligada.

Ligação entre excítons e magnetismo

A pesquisa, conduzida no Laboratório de Nanofotônica e Microfotônica (LaNMP), liderado pelo físico Vinod M. Menon, indica que essas interações podem ser a base para futuros dispositivos optoeletrônicos e tecnologias quânticas capazes de manipular simultaneamente luz, carga e spin eletrônico.

Em uma revisão publicada na revista Nature Materials com o título “Excitons in van der Waals magnetic materials”, os pesquisadores analisam avanços recentes em semicondutores magnéticos de camadas finas. Esses materiais permitem que as excitações geradas pela luz, chamadas excítons, interajam tanto com a ordem magnética quanto com ondas magnéticas denominadas magnon.

Funcionamento dos excítons e magnons

Um excíton surge quando a luz excita um elétron, que se desloca, deixando um buraco positivo para trás. Ambos permanecem ligados, formando uma partícula eletricamente neutra, mas que mantém forte interação com a luz. Já os magnons são ondas coletivas que se propagam pela estrutura magnética organizada do material.

Durante anos, o desafio foi unir as propriedades ópticas de semicondutores ricos em excítons com o magnetismo. Soluções anteriores incluíam a adição de átomos magnéticos ou a sobreposição de semicondutores finos sobre materiais magnéticos. Os semicondutores magnéticos de van der Waals oferecem uma abordagem mais direta, pois excítons e momentos magnéticos podem surgir dos mesmos orbitais eletrônicos, permitindo que luz e magnetismo se influenciem internamente.

Impactos e aplicações futuras

Segundo Pratap Chandra Adak, pós-doutorando do grupo de Menon e autor principal da revisão, “Nesses materiais, luz e magnetismo não operam mais em canais separados. O excíton não é só uma excitação passiva movida pela luz; ele percebe a ordem de spin e os magnons, podendo até ajudar a controlar o estado magnético.”

O estudo destaca plataformas como triiodeto de cromo, trissulfeto de fósforo e brometo de cromo e enxofre, mostrando que excítons e magnetismo podem se influenciar mutuamente. Isso fortalece efeitos magneto-ópticos, possibilitando a identificação de estados magnéticos via polarização da luz. A ordem magnética pode modificar a energia dos excítons e influenciar sua localização no material.

as interações entre excítons e magnons conectam sinais ópticos com atividades magnéticas em frequências da ordem de gigahertz. O artigo também aborda os excítons polaritônicos, partículas híbridas que transportam informação óptica através do material.

Menon ressalta que “Nos últimos anos, a área evoluiu do simples reconhecimento do magnetismo em cristais ultrafinos para explorar como a ordem magnética pode controlar as interações luz-matéria”. O objetivo do artigo é organizar esses avanços e indicar possíveis caminhos para pesquisas futuras.

Entre as aplicações potenciais estão memórias magneto-fotônicas, leitura de dados, lógica totalmente óptica, dispositivos emissores de luz ajustáveis, lasers magneto-ópticos e tecnologias polaritônicas. Outro foco promissor são os transdutores quânticos, capazes de converter sinais entre frequências ópticas e de micro-ondas, fundamentais para redes quânticas.

Perspectivas para novos estudos

Apesar do progresso, muitos materiais ainda não foram explorados detalhadamente. Os cientistas buscam modelos teóricos mais precisos que prevejam como excítons, spins eletrônicos, vibrações da rede e fótons interagem simultaneamente.

Futuras investigações podem abordar temas como excítons magnéticos moiré, controle óptico de texturas de spin, dispositivos magneto-fotônicos, condensação de polaritons magnéticos e conversão de sinais de micro-ondas para ópticos para comunicação quântica.

Além de Vinod M. Menon e Pratap Chandra Adak, a equipe inclui Florian Dirnberger, da Universidade Técnica de Munique; Swagata Acharya, do National Laboratory of the Rockies; Akashdeep Kamra, da Universidade Técnica de Rheinland-Pfälzische Kaiserslautern-Landau; e Xiaodong Xu, da Universidade de Washington.

O trabalho no City College de Nova York contou com apoio da DARPA e da Fundação Gordon e Betty Moore.

Leia também:

Com informações de www.sciencedaily.com.

Compartilhar.