A União Europeia decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e produtos de origem animal devido ao descumprimento das normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. O anúncio foi feito em junho e passa a valer a partir de 3 de setembro.
Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), ressaltou que há grande possibilidade de o setor não conseguir se adequar rapidamente às exigências europeias, o que pode comprometer o mercado europeu para a carne brasileira.
Retirada da autorização e impacto nas exportações
Até 2024, o Brasil tinha permissão para exportar carne bovina, de frango, de cavalo, tripas, pescado e mel para a União Europeia. Com a nova decisão, essas exportações serão suspensas. Enquanto isso, países do Mercosul como Argentina, Paraguai e Uruguai mantêm sua habilitação para o mercado europeu.
A Comissão Europeia justificou a exclusão do Brasil alegando a falta de informações suficientes que comprovem o cumprimento das regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos, substâncias aplicadas para tratamento e prevenção de doenças em animais, mas que possuem restrições quanto à sua utilização como promotores de crescimento.
Desafios para adaptação do setor
Perosa destacou que a adaptação às novas regras não será imediata e que o ciclo da pecuária bovina indica um período aproximado de dois anos para que o setor possa se adequar completamente. Apesar de o mercado europeu representar cerca de 5% das exportações brasileiras de carne, ele é estratégico por demandar cortes com maior valor agregado.
Outras dificuldades no mercado internacional
Além da União Europeia, o Brasil enfrenta restrições da China, que desde janeiro de 2026 impôs cotas e sobretaxas sobre a carne bovina brasileira, limitando a 1,1 milhão de toneladas anuais a cota isenta e aplicando uma taxa de 55% sobre volumes excedentes. Esta medida tem impacto direto na dinâmica de escoamento da produção nacional.
Perosa relatou que as dificuldades já começaram a ser sentidas neste mês, com relatos de férias coletivas em frigoríficos devido à maior dificuldade de comercialização. Ele acrescentou que a demanda externa é fundamental para manter os preços internos estáveis, mas perspectivas indicam que pressões sobre margens e o crescimento da economia podem provocar reajustes em breve.
Com informações de g1.globo.com.
