A PEC que extingue a escala 6×1 passou na Câmara dos Deputados com ampla maioria, mas o Senado Federal ainda não tem prazo para votar a proposta. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse que a matéria passará por comissão antes do plenário.

A reunião de líderes que definiria o caminho da matéria, esperada para a primeira semana de junho, foi adiada para depois do feriado de Corpus Christi. O senador Paulo Paim (PT-RS), um dos principais defensores da redução da jornada de trabalho no Brasil, disse que o encontro deve ocorrer nos dias 9 ou 10 de junho de 2026.

A indefinição coloca em dúvida a aprovação da mudança antes das eleições de outubro de 2026, prazo considerado estratégico por defensores da pauta. Trabalhadores, sindicatos e setor empresarial monitoram o avanço da proposta.

Posição de Alcolumbre e o rito de tramitação no Senado

Na sessão de terça-feira (02/06), Alcolumbre deixou clara a preferência por um processo sem pressa. O Senado quer debater o tema com profundidade, não apenas referendar o texto da Câmara.

“Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância, se os senadores pudessem debater um assunto dessa envergadura com calma, sem açodamento, sem pressa.”

Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal

“Deve ter no mínimo uma comissão [analisando a PEC antes do plenário]. Não podemos ser uma Casa carimbadora.”

Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal

Quando uma PEC passa por comissão antes do plenário, o processo pode durar semanas ou meses. Tudo depende da pauta legislativa e das negociações políticas internas — variáveis que, neste caso, ainda estão em aberto.

Paim confirmou à imprensa que a reunião de líderes ainda não tem data certa, mas acredita que ocorrerá logo após o recesso do feriado.

“Não temos a data certa… mas poderá ser no dia 9 ou 10 [de junho].”

Paulo Paim, senador (PT-RS)

📊 Contexto: A escala 6×1 determina seis dias de trabalho para cada dia de folga. O texto aprovado na Câmara extingue esse modelo, limita a jornada semanal e garante ao menos um dia de descanso a cada dois dias trabalhados. O impacto é direto em setores como comércio, saúde, segurança e indústria.

Pressões a favor e contra: o que está em jogo antes da eleição

A PEC da escala 6×1 ganhou força nas redes sociais ao longo de 2025 e se tornou um dos temas trabalhistas mais debatidos da legislatura. Movimentos sindicais, centrais de trabalhadores e parlamentares da base do governo federal puxaram a aprovação na Câmara.

Do lado contrário, entidades empresariais e representantes de setores com alta dependência de escalas rotativas — como varejo e saúde — alertam para aumento de custos operacionais, redução de postos de trabalho e dificuldades para micro e pequenas empresas.

  • Favoráveis à PEC: centrais sindicais, movimentos de trabalhadores, bancadas de esquerda e centro-esquerda, parte do governo Lula
  • Contrários ou cautelosos: federações empresariais, entidades do varejo, representantes de pequenas empresas e parte da bancada conservadora no Senado
  • Indefinidos: senadores do centro que aguardam o texto final para se posicionar

O calendário eleitoral de 2026 pesa sobre o debate. Parlamentares com mandatos em disputa querem mostrar posição clara sobre pautas que mobilizam trabalhadores — o que tanto acelera quanto complica as negociações, conforme o campo ideológico e a base eleitoral de cada um.

📊 Contexto histórico: O Brasil tem uma das jornadas de trabalho mais longas entre os países da América Latina e da OCDE. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em vigor desde 1943, estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. A escala 6×1, amplamente usada em serviços de funcionamento contínuo, é apontada por especialistas em saúde do trabalhador como fator de adoecimento físico e mental.

O que vem a seguir: etapas até a possível aprovação

Para que a PEC escala 6×1 seja promulgada, o Senado precisa aprová-la em dois turnos com maioria de três quintos — ao menos 49 dos 81 senadores. Se o Senado alterar o texto da Câmara, a proposta volta à Casa de origem para nova votação, o que estende o prazo.

  1. Reunião de líderes (prevista para 9 ou 10 de junho de 2026): definição do rito de tramitação
  2. Criação e análise em comissão: prazo ainda indefinido, conforme sinalizado por Alcolumbre
  3. Votação em plenário: dois turnos, com quórum qualificado de 3/5
  4. Promulgação ou retorno à Câmara: a depender de eventual alteração no texto

Não há consenso entre os senadores sobre a necessidade de modificar o texto ou aprová-lo como veio da Câmara. A posição de Alcolumbre torna pouco provável uma votação rápida no plenário do Senado Federal.

A reunião de líderes marcada para a segunda semana de junho de 2026 será o primeiro sinal concreto sobre o ritmo que o Senado vai adotar. Trabalhadores, empregadores e analistas políticos querem saber se a reforma da jornada de trabalho terá desfecho antes ou depois das urnas de outubro.

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