Desde junho, jovens estudantes e manifestantes têm se reunido em Jantar Mantar, em Nova Delhi, para protestar contra vazamentos de provas médicas importantes, que comprometeram a integridade dos exames e levaram à repetição das provas, gerando revolta e até suicídios entre os candidatos afetados. As manifestações ganharam força contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi, que está no poder há 12 anos pelo partido BJP (Bharatiya Janata Party).
Repressão e prisões
Em resposta, autoridades em estados governados pelo BJP, como Bengala Ocidental e Maharashtra, realizaram prisões de centenas de jovens, inclusive menores de idade, aplicando acusações severas. No entanto, a Suprema Corte da Índia determinou a soltura imediata de todos os detidos com menos de 18 anos envolvidos nos protestos liderados pela Cockroach Janta Party (CJP). Antes mesmo da decisão judicial, vários presos foram liberados sob pressão de líderes oposicionistas e ativistas.
As ações policiais foram duras, utilizando cassetetes, gás lacrimogêneo e até armas de balas de borracha. Em Siwan, distrito de Bihar, um policial foi suspenso por ter apontado um fuzil AK-47 contra manifestantes e disparado tiros para o alto. Essas medidas suscitaram críticas e denúncias de uso excessivo da força.
Controle e vigilância digital
Além das detenções físicas, manifestantes relatam perseguição digital, com bloqueios de contas em redes sociais e processos contra críticos do governo. A polícia de Nova Delhi chegou a solicitar informações de usuários da plataforma X (antigo Twitter), incluindo dados pessoais e registros de login, para investigar publicações consideradas ofensivas ao primeiro-ministro.
O governo tem sido acusado por partidos de oposição e ativistas de ampliar o monitoramento nas redes sociais e usar tecnologia para vigiar os protestos. Estudantes, como a ativista Aishe Ghosh, recorreram à justiça para questionar a legalidade da coleta massiva de dados, pedindo a destruição das informações captadas durante as manifestações.
Atuação da Suprema Corte
A Suprema Corte ouviu pedidos de investigacão contra policiais e forças paramilitares por supostos abusos, incluindo o uso de balas de borracha. O tribunal solicitou a preservação de todas as imagens e gravações, inclusive de drones e câmeras corporais, e exigiu que os dados pessoais dos manifestantes não sejam divulgados.
O chefe da Corte, Surya Kant, enfatizou a necessidade de uma apuração justa e independente, afirmando que não basta apenas investigar sem responsabilizar os culpados.
Negociações e postura do governo
Governos estaduais multilados pelo BJP anunciaram a suspensão das ações judiciais contra os manifestantes, retirando acusações em estados como Bihar, Assam, Delhi, além de Bengala Ocidental e Maharashtra. Os protestos exigiam a renúncia do ministro da Educação Dharmendra Pradhan, que anunciou sua saída em um raro revés para Modi.
Contudo, representantes da CJP afirmaram não ter recebido garantias formais de que todos os processos serão encerrados, já que o governo argumenta que a decisão da Suprema Corte ainda permite investigações em andamento.
Em resposta às investigações sobre publicações online, a CJP questionou a repressão a críticas ao governo, ressaltando que em uma democracia é direito dos cidadãos cobrar transparência e responsabilidade de seus líderes.
Conclusão
O governo indiano enfrenta um delicado equilíbrio entre conter os protestos e manter o apoio da juventude. A repressão seletiva, o uso da força e a vigilância digital continuam gerando controvérsia e debates sobre direitos civis e liberdades democráticas.
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Com informações de www.aljazeera.com.
