Os confrontos entre Estados Unidos e Irã continuam a se agravar após o fim do memorando de entendimento (MoU) assinado em Islamabad, no Paquistão, em 17 de junho. Na noite de domingo para segunda-feira, ataques dos EUA contra instalações militares iranianas e capacidades marítimas se estenderam pelo nono dia consecutivo, enquanto o Irã retaliou com ataques que acionaram sirenes de alerta em países vizinhos do Golfo e na Jordânia, que abriga bases militares americanas.

Ambos os lados acusam o outro de violar o acordo, com o presidente dos EUA, Donald Trump, declarando o fim da trégua, e o Irã afirmando que não pretende mais respeitar o memorando. O estreito de Ormuz, por onde normalmente passa 20% do petróleo e gás mundial em tempos de paz, permanece bloqueado, elevando os preços do petróleo mais uma vez.

Repercussões econômicas e estratégicas para o Golfo

O fechamento do estreito, uma rota fundamental para o fluxo global de energia, tem impacto direto sobre os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). A interrupção das exportações compromete a segurança econômica dessas nações e prejudica suas estratégias de energia. O conflito causou a maior perturbação nas reservas globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) da história recente.

Mohammad Reza Farzanegan, economista da Universidade de Marburg, da Alemanha, destaca que a guerra não afeta apenas as receitas energéticas, mas também prejudica setores como turismo, aviação, logística, construção e investimentos estrangeiros que dependem da estabilidade regional. O aumento dos custos com seguros e transporte tende a afastar investidores e turistas.

Consequências para o Irã

O MoU havia permitido o fim do bloqueio naval contra portos iranianos e suspendeu sanções sobre exportação de petróleo e operações bancárias, o que possibilitou a retomada das vendas de petróleo. Antes, o parlamento iraniano afirmava que os bloqueios impediam a exportação de qualquer barril. Com a retomada das hostilidades, os EUA danificaram um navio no estreito de Ormuz que transportava petróleo iraniano.

Teerã também atacou embarcações comerciais na região, e os EUA intensificaram bombardeios nas áreas costeiras iranianas. Segundo Farzanegan, a nova fase do bloqueio naval impõe restrições físicas que dificultam o uso de intermediários e rotas alternativas para exportação, reduzindo as receitas em moeda estrangeira e pressionando ainda mais o câmbio e a inflação local.

A inflação no Irã é uma das mais altas do mundo, e a moeda local, o rial, atingiu recentemente sua menor cotação histórica, chegando a quase 1,9 milhão por dólar. A bolsa de valores de Teerã também apresentou queda significativa.

Reações internas nos Estados Unidos e perdas militares

Nos EUA, a condução da guerra tem sido amplamente rejeitada pela população. Uma pesquisa CNBC aponta que 60% desaprovam o governo Trump em relação à economia, e a aprovação líquida do presidente está em -22, o menor índice de sua carreira. 61% dos entrevistados estão pessimistas quanto à situação econômica, o maior índice desde dezembro de 2023.

Farzanegan observa que a alta nos preços de energia e a redução do poder de compra dos consumidores geram custos adicionais para famílias e dificultam a posição política do presidente e dos candidatos republicanos nas eleições congressuais previstas para novembro de 2026.

Até o momento, 17 militares americanos morreram no conflito contra o Irã, sendo três somente nos últimos dez dias, após a retomada das hostilidades. Trump declarou que os ataques recentes foram em homenagem aos soldados falecidos. Dois militares dos EUA foram mortos em um ataque iraniano a uma base aérea na Jordânia, e outro está desaparecido. um soldado americano morreu no Iraque ao desarmar explosivos de um drone iraniano.

Ampliando o alcance dos confrontos

O Irã afirmou ter atingido diversas instalações militares americanas em Kuwait, Bahrein e Jordânia, incluindo um avião no aeroporto de Aqaba. A extensão dos danos ainda não foi confirmada por fontes independentes. Por sua vez, os ataques iranianos na maioria dos países do Golfo e na Jordânia provocaram o acionamento de sistemas interceptadores.

Durante a primeira fase do conflito entre EUA e Israel contra o Irã, em março e abril, os países do GCC já haviam utilizado centenas de interceptadores caros para defender seus territórios. Os ataques iranianos também afetaram infraestrutura civil, como usinas de energia e estações de dessalinização no Kuwait, aumentando o impacto regional do confronto.

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Com informações de www.aljazeera.com.

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