Os incêndios na Amazônia brasileira registraram em 2025 a menor extensão queimada já documentada desde o início dos registros por satélite em 1985. Segundo o Relatório Anual do Fogo divulgado em 21 de julho de 2026 pela rede MapBiomas, a área atingida pelo fogo na maior floresta tropical do planeta caiu para 3,1 milhões de hectares, um resultado significativamente inferior aos 15,8 milhões de hectares queimados em 2024.
Enquanto isso, o Cerrado, segundo maior bioma brasileiro e considerado a savana com maior biodiversidade mundial, apresentou níveis de queimadas semelhantes aos do ano anterior, sem redução importante na área afetada.
Fatores climáticos e humanos
A geógrafa Ane Alencar, coordenadora do relatório do MapBiomas, destacou que a queda dos incêndios na Amazônia em 2025 foi atípica. Ela explicou que um atraso no início do período chuvoso entre 2024 e 2025 impediu a formação de condições favoráveis para o aumento do fogo, principalmente nas áreas onde a queimada é usada para limpeza agrícola.
Além das queimadas provocadas por pastagens mal manejadas ou ilegais, o relatório aponta o uso do fogo para desmatamento em áreas de mineração clandestina como outro fator que impulsiona os incêndios. A redução significativa do desmatamento em 2025 contribuiu para limitar as fontes de ignição, o que ajudou a controlar as chamas.
Alencar ainda mencionou a existência de um aspecto psicológico nas comunidades afetadas pelas queimadas em 2024. O receio de repetir aquela situação influenciou um maior controle do fogo em 2025, colaborando para o contexto positivo registrado.
Avanços e alertas ambientais
O relatório ressalta que a queda das queimadas interrompe uma sequência de anos em que as áreas queimadas vinham aumentando e coloca o Brasil novamente em um patamar historicamente baixo de incêndios. No entanto, o Cerrado não apresentou melhora significativa, mantendo o volume de queimadas em níveis preocupantes.
Outro ponto de atenção é a possibilidade do fenômeno climático El Niño ocorrer com maior intensidade em 2026, o que pode prolongar o período seco e ampliar as chances de incêndios florestais.
Além da diminuição dos focos de fogo, dados oficiais indicam que a Amazônia registrou a menor taxa de desmatamento da última década no primeiro semestre de 2026. Essa tendência de queda tem se mantido desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu em 2023 e estabeleceu a meta de eliminar o desmatamento ilegal até 2030.
Apesar desses avanços ambientais, o governo recebe críticas de ambientalistas devido a um projeto de grande escala para exploração de petróleo na Foz do Amazonas, que pode impactar negativamente a região.
Dados principais:
- Incêndios na Amazônia em 2024: 15,8 milhões de hectares queimados.
- Incêndios na Amazônia em 2025: 3,1 milhões de hectares queimados, menor nível desde 1985.
- Área queimada no Brasil em 2025: 12,7 milhões de hectares, menor desde 2018.
- Cerrado manteve níveis de queimadas semelhantes a 2024.
- Menor taxa de desmatamento da Amazônia em uma década no primeiro semestre de 2026.
- Presidente Lula promete erradicar desmatamento ilegal até 2030.
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