A Federação de Futebol do Irã (FFIRI) denunciou nesta terça-feira (9 de junho de 2026) que os Estados Unidos retiraram sua cota de ingressos para a Copa do Mundo 2026 dois dias antes da abertura do torneio, marcada para quinta-feira (11). Torcedores iranianos que já haviam organizado viagens ficaram sem acesso aos estádios.
O comunicado da FFIRI não detalhou os motivos alegados pelas autoridades norte-americanas. A federação disse estar impossibilitada de distribuir ingressos após a retirada de sua parcela do lote. Até o fechamento desta reportagem, nem o governo dos Estados Unidos nem a Fifa se manifestaram publicamente sobre o caso.
O episódio ocorre em meio à alta tensão diplomática entre Teerã e Washington. A presença da seleção iraniana numa Copa sediada nos EUA já vinha sendo acompanhada de perto, e a revogação dos ingressos acrescenta um novo capítulo a esse momento delicado.
Cota de 8% retirada: o que a federação iraniana revelou
Os Estados Unidos retiraram especificamente a cota de 8% de ingressos destinada aos torcedores da seleção iraniana. Por protocolo da Fifa, essa parcela é habitualmente reservada a cada federação participante para distribuição entre sua própria torcida, garantindo acesso prioritário às partidas de seus times.
“Isso acontece apesar do fato de que muitos torcedores iranianos, confiando no processo oficialmente anunciado, já haviam feito os planos necessários para comparecer aos jogos.”
Federação de Futebol da República Islâmica do Irã (FFIRI), em comunicado oficial
A declaração expõe uma contradição grave. Torcedores que seguiram os canais oficiais, compraram passagens aéreas e fizeram reservas de hospedagem agora enfrentam uma situação sem solução clara. A FFIRI não informou quantas pessoas estão diretamente afetadas, mas o impacto financeiro e logístico é imediato.
A Fifa não emitiu qualquer nota de esclarecimento nem anunciou medidas compensatórias para os torcedores prejudicados. A entidade, com sede em Zurique, costuma intermediar conflitos entre anfitriões e delegações participantes, mas permanece em silêncio neste caso.
Tensão diplomática como pano de fundo da Copa do Mundo 2026
O Irã na Copa do Mundo 2026 chega a esta edição carregando o peso das relações historicamente conflituosas com Washington. O país e os Estados Unidos não mantêm relações diplomáticas formais desde 1980, após a Revolução Islâmica e a crise dos reféns na embaixada americana em Teerã.
A realização de uma Copa do Mundo nos Estados Unidos com a participação do Irã já havia gerado debate sobre questões práticas: concessão de vistos a atletas, membros da comissão técnica, jornalistas e torcedores iranianos. Imagens nas redes sociais mostraram forte esquema de segurança na chegada da delegação iraniana a Tijuana, no México, uma das sedes da competição. A torcida compareceu ao desembarque em clima de festa, mas a revogação dos ingressos lança uma sombra sobre essa mobilização.
- Vistos para atletas e comissão: concedidos após negociações, segundo relatos anteriores ao início do torneio
- Ingressos para torcedores: cota de 8% retirada pelos EUA dias antes da abertura, segundo a FFIRI
- Esquema de segurança: presença reforçada de agentes registrada em Tijuana durante chegada da delegação
- Posição da Fifa: sem manifestação oficial até o fechamento desta reportagem
- Posição dos EUA: sem manifestação oficial até o fechamento desta reportagem
Historicamente, a Fifa e política no futebol procura manter o esporte distante de conflitos geopolíticos, usando o princípio da neutralidade como escudo. Ao sediar uma Copa num país que mantém sanções econômicas e tensões militares com uma das seleções participantes, porém, a entidade se viu diante de uma situação de difícil administração. A revogação dos ingressos, se não for revertida, pode se tornar um dos casos mais citados de interferência política numa Copa do Mundo desde a era moderna do torneio.
A abertura da Copa do Mundo 2026 está prevista para 11 de junho. Qualquer reversão da medida depende de ação rápida — e até agora improvável — das autoridades norte-americanas ou de intervenção direta da Fifa junto ao comitê organizador local. Os torcedores iranianos já em solo americano ou em países vizinhos serão os mais prejudicados caso nenhuma das partes se mova.
