A OpenAI, criadora do ChatGPT, protocolou nesta segunda-feira (8 de junho de 2026) um pedido confidencial de IPO nos Estados Unidos. A companhia mira avaliação de até US$ 1 trilhão em estreia prevista para setembro. Os termos da oferta não foram divulgados.
O pedido coloca a OpenAI no centro de uma das disputas mais aguardadas do mercado financeiro global: a corrida de gigantes da inteligência artificial ao pregão. Em menos de dez dias, três das empresas mais valiosas do setor anunciaram iniciativas concretas para abrir capital, sinalizando uma janela que analistas descrevem como a mais relevante da última década para o segmento de alto crescimento.
O pedido confidencial permite à empresa apresentar documentos à SEC, a comissão de valores mobiliários americana, sem divulgação imediata ao público. A modalidade dá à OpenAI flexibilidade para ajustar os termos da oferta antes de torná-la pública, preservando informações estratégicas da concorrência até o lançamento definitivo.
Corrida ao mercado: OpenAI, Anthropic e SpaceX disputam o mesmo pregão
A OpenAI não está sozinha. A Anthropic, criadora do assistente Claude e principal rival no segmento de modelos de linguagem avançados, protocolou seu próprio pedido confidencial de IPO na segunda-feira anterior, dia 1º de junho de 2026. Sete dias separam os dois anúncios.
A SpaceX, empresa fundada pelo bilionário Elon Musk e dona do sistema de inteligência artificial Grok, foi além: definiu o preço de US$ 135 por ação e tem listagem prevista a partir de sexta-feira, 12 de junho de 2026, tornando-se a primeira das três a estrear no mercado de capitais neste ciclo.
Analistas apontam que as três ofertas funcionam como termômetro coletivo do apetite dos investidores por papéis de tecnologia. O desempenho de cada uma tende a influenciar diretamente as condições das demais, criando um efeito dominó sobre as avaliações finais.
| Empresa | Produto de IA | Status do IPO (junho/2026) | Avaliação estimada |
|---|---|---|---|
| OpenAI | ChatGPT | Pedido confidencial protocolado em 8/6 | Até US$ 1 trilhão |
| Anthropic | Claude | Pedido confidencial protocolado em 1/6 | Não divulgada |
| SpaceX | Grok | Preço definido a US$ 135/ação; estreia em 12/6 | Não divulgada (listagem em curso) |
O que a avaliação de US$ 1 trilhão significa para o setor
Chegar a US$ 1 trilhão colocaria a OpenAI ao lado de Apple, Microsoft, Nvidia, Alphabet e Amazon — grupo que nenhuma empresa de inteligência artificial havia integrado em sua abertura de capital. O IPO da OpenAI seria um marco para o setor.
A trajetória de valorização da companhia é acelerada. Fundada em 2015 como organização sem fins lucrativos, a OpenAI passou por reestruturação societária para viabilizar captações privadas em escala. Em rodadas anteriores ao IPO, a empresa recebeu avaliações progressivamente maiores, impulsionada pela adoção massiva do ChatGPT, com centenas de milhões de usuários ativos globalmente. A entrada na bolsa consolida esse valor em um ativo negociável.
“O conjunto de IPOs de empresas de IA em 2026 representa o teste mais importante da última década em relação ao apetite de investidores por ações de tecnologia de alto crescimento.”
Analistas de mercado, segundo a Reuters
O momento escolhido também reflete um ambiente macroeconômico mais favorável do que o de 2022 e 2023, quando a alta dos juros nos Estados Unidos desidratou avaliações de empresas de tecnologia e fechou a janela de ofertas públicas iniciais para companhias sem lucratividade consolidada. O ciclo de afrouxamento monetário do Federal Reserve abriu espaço para que valuations elevados voltassem a atrair compradores institucionais dispostos a pagar prêmios por crescimento.
Próximos passos até setembro
Com o pedido registrado, a OpenAI deve elaborar nos próximos meses o prospecto definitivo — documento que detalha a situação financeira da empresa, os riscos do negócio, o uso dos recursos captados e a estrutura da oferta. A Reuters aponta setembro de 2026 como data esperada para a estreia, embora condições adversas de mercado possam alterar o cronograma.
O processo inclui o roadshow, série de apresentações a investidores institucionais nas principais praças financeiras do mundo. Executivos da companhia percorrem essas praças para convencer gestores de fundos a subscrever ações. A precificação final — que dirá se a OpenAI alcança ou fica aquém da marca de US$ 1 trilhão — só sai na véspera da listagem.
Para o mercado de inteligência artificial, a operação de setembro será o evento financeiro mais monitorado do ano. Uma prova concreta de quanto os investidores pagam pelo futuro da IA generativa, enquanto a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China se intensifica e a competição por liderança no setor nunca foi tão acirrada.
