Na noite de quarta-feira, os Estados Unidos realizaram uma nova série de ataques, com explosões registradas em Bandar Abbas, Chabahar e Ahvaz, cidades iranianas próximas ao Estreito de Ormuz. O principal negociador iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, afirmou que as Forças Armadas do Irã têm total liberdade para agir diante da “agressão inimiga”. Os ataques americanos recentes resultaram na morte de sete soldados iranianos.

Esses confrontos representam a continuidade da escalada entre Washington e Teerã, que comprometeu o acordo provisório de paz firmado em 17 de junho. Na madrugada de terça para quarta, os EUA lançaram diversos ataques aéreos contra alvos militares em áreas costeiras iranianas e na ilha Greater Tunb. Entre os alvos estavam um quartel em Bampour, no sudeste do Irã, onde sete integrantes da 388ª Brigada foram mortos e outros ficaram feridos.

O Exército iraniano anunciou que dará uma resposta definitiva no momento adequado. A mídia local também relatou um ataque americano a um depósito de trigo na província de Khuzestan, informação negada pelos militares dos EUA.

Os últimos ataques, iniciados às 22h30 no horário iraniano (19h GMT), foram acompanhados pela notícia de explosões em Bandar Abbas, Chabahar e Ahvaz. o comando militar americano informou que redirecionou dois navios comerciais como parte de um bloqueio renovado aos portos iranianos, implementado na noite anterior.

Fim do acordo e declarações do governo iraniano

Teerã declarou que os sucessivos ataques americanos invalidaram o memorando de entendimento que sustentava o frágil cessar-fogo. Ghalibaf classificou o conflito como uma guerra essencial e existencial contra os Estados Unidos, sem motivos para seguir os termos do acordo de paz.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, confirmou que o Irã abandonou suas obrigações porque os EUA não cumpriram as suas. Segundo ele, o país só manteria seus compromissos enquanto a outra parte respeitasse o acordo, e não pretende retomar negociações com Washington, focando na defesa nacional.

O correspondente da Al Jazeera em Teerã, Resul Serdar, avalia que a escalada dificulta muito o retorno às conversas. “Agora há uma guerra de baixa intensidade, novas sanções foram aplicadas e o bloqueio americano está de volta”, comentou. No entanto, ressaltou que o Irã permanece aberto à diplomacia caso os EUA cumpram o memorando.

Reações e confrontos na região

Na manhã de quarta, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã anunciou ataques contra a Quinta Frota americana no Bahrein e um importante centro logístico dos EUA em Mina Abdullah, Kuwait. As defesas do Kuwait afirmaram ter interceptado ao menos quatro mísseis de cruzeiro e 21 drones iranianos durante o dia, enquanto a Jordânia informou ter derrubado três mísseis lançados pelo Irã.

O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo, Jasem AlBudaiwi, condenou os ataques iranianos a Bahrein, Kuwait e Jordânia, descrevendo-os como traiçoeiros e uma demonstração da intenção do Irã de provocar instabilidade na região.

Zeidon Alkinani, diretor do Instituto Arab Perspectives, afirmou que os repetidos ataques do Irã testaram a paciência dos países do Golfo, que rejeitam a guerra entre EUA e Israel contra o Irã e defendem o diálogo. “A paciência desses países pode acabar em breve”, alertou.

Posição dos Estados Unidos

O presidente americano, Donald Trump, advertiu na terça-feira que os ataques contra o Irã poderiam se intensificar caso o governo iraniano não aceitasse retomar as negociações. Trump chegou a ameaçar destruir usinas de energia e pontes no país, embora tenha evitado estabelecer um prazo para o retorno às conversações, afirmando apenas que o Irã “sabe do que se trata” e deve se comportar adequadamente.

Equilíbrio entre diplomacia e ação militar

Ghalibaf destacou que o Irã busca equilibrar a diplomacia com a força militar para proteger seus interesses nacionais. Ele afirmou que o país nunca desejou a guerra, mas deve estar preparado para ela e manter firme sua segurança. Ao mesmo tempo, ressaltou que as ferramentas diplomáticas e de negociação continuam sendo utilizadas para consolidar os objetivos nacionais iranianos.

Com informações de www.aljazeera.com.

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