Larissa Nunes assume o papel principal na montagem de “Uma Voz Humana”, adaptação atualizada do clássico monólogo escrito por Jean Cocteau em 1930. A peça está em cartaz no Teatroiquè, localizado na zona oeste de São Paulo.
Enredo e releituras
A trama gira em torno de uma mulher que tenta se comunicar com o ex-marido por telefone, enfrentando falhas técnicas que dificultam a conversa. As ligações frequentemente terminam em discussões carregadas de mágoas e desentendimentos não resolvidos, ressaltando a solidão da protagonista que nunca escuta a voz do interlocutor.
Desde sua estreia no teatro parisiense Comédie-Française, a obra já inspirou diversas versões, incluindo uma ópera de Francis Poulenc e filmes de diretores como Roberto Rossellini e Pedro Almodóvar, além de um curta protagonizado por Sophia Loren.
Atualização e linguagem contemporânea
A nova produção da Sociedade Arminda traz um olhar renovado sobre o drama, focando não apenas na tentativa da protagonista de manter a relação, mas também na busca pela própria identidade e voz após anos de viver para outro.
Larissa Nunes explica que junto ao diretor e dramaturgo José Fernando Peixoto de Azevedo, com quem colaborou para atualizar o texto, buscou trazer elementos audiovisuais para o espetáculo. Dois operadores de câmera filmam a atriz durante a apresentação, e as imagens são exibidas em um telão no alto do palco, criando um diálogo com o cinema.
Aspectos musicais e emocionais
Além da linguagem visual, o trabalho incorpora músicas que ampliam as emoções da personagem. Entre as canções interpretadas por Nunes estão “You Oughta Know”, de Alanis Morissette, que expressa a revolta da protagonista, e “Un-Break My Heart”, imortalizada por Toni Braxton, que revela o desejo de reconciliação.
Segundo a atriz, a obra retrata uma mulher que busca entender sua própria dor, mostrando que processos emocionais não podem ser apressados, mesmo em um mundo conectado pelas redes sociais.
Contexto da produção
O interesse de Larissa Nunes pelo projeto surgiu após o encerramento do musical “Nossa História com Chico Buarque”, em que participou. Ao compartilhar sua vontade de encontrar um trabalho que lhe permitisse pesquisar e assumir protagonismo artístico, recebeu a sugestão de encenar “A Voz Humana”.
Ela destaca que a peça continua relevante, pois retrata a dificuldade das pessoas em lidar com términos de relacionamentos, frequentemente mediados por telefonemas, mensagens e silêncios, temas que permanecem atuais quase um século depois da criação da obra.
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Com informações de redir.folha.com.br.
