A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o senador Flávio Bolsonaro (PL) por 44% a 38% em eventual segundo turno. A diferença de 6 pontos percentuais é a maior registrada pelo petista sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro desde que o instituto passou a testar o cenário regularmente.
Lula lidera com folga, mas fica distante da maioria absoluta necessária para encerrar a disputa no primeiro turno. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Os dados foram coletados junto a eleitores de todo o país.
Flávio Bolsonaro, principal herdeiro político do bolsonarismo após a inelegibilidade do pai, ainda não consolidou eleitorado amplo o suficiente para ameaçar a reeleição de Lula. O cenário eleitoral 2026 segue polarizado, com o incumbente à frente em todos os cenários de segundo turno testados até agora.
Números detalhados da pesquisa Genial/Quaest para o 2º turno
Os dados de junho mostram distribuição clara entre os grupos do eleitorado. Lula mantém desempenho superior entre mulheres, eleitores de menor renda e moradores do Norte e Nordeste. Flávio Bolsonaro concentra força entre homens, eleitores de renda média e moradores do interior do Sul e Sudeste — perfil próximo ao que seu pai consolidou entre 2018 e 2022.
| Candidato | Intenção de voto (2º turno) | Variação |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 44% | — |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 38% | — |
| Brancos, nulos e indecisos | 18% | — |
Os 18% de indecisos ou que declaram voto branco e nulo formam o principal campo de disputa na reta final. Analistas apontam que esse grupo tende a se dividir de forma proporcional entre os candidatos. Na prática, isso manteria a vantagem atual de Lula caso o pleito ocorresse hoje.
Flávio Bolsonaro como principal rival da oposição
Flávio Bolsonaro surgiu como o candidato mais competitivo da direita após o julgamento de inelegibilidade de Jair Bolsonaro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou o ex-presidente de concorrer em 2026. O senador pelo Rio de Janeiro constrói sua candidatura há dois anos. Aposta num discurso que combina defesa do legado do pai com tentativas de ampliar a base para além do núcleo duro bolsonarista.
A estratégia encontra resistências em duas frentes. Eleitores de centro que poderiam migrar para a oposição ainda têm restrições ao sobrenome Bolsonaro. Ao mesmo tempo, o núcleo mais radical da direita cobra do senador posições mais combativas. Esse duplo constrangimento explica por que ele não ultrapassou a barreira dos 40% em nenhum cenário de segundo turno testado até agora.
“A vantagem de Lula é real, mas 18% de indecisos é um volume grande o suficiente para mudar o resultado. O segundo turno ainda não está definido, e a campanha vai jogar papel central na consolidação desses números.”
Cientista político, analista de pesquisas eleitorais brasileiras
No campo governista, os dados são comemorados com cautela. A equipe de Lula sabe que os índices de aprovação federal oscilaram ao longo de 2025 e início de 2026, pressionados pelo desempenho da economia, pelo comportamento da inflação e por episódios de desgaste no Congresso. A liderança nas sondagens de segundo turno não reflete necessariamente satisfação com a gestão — pode indicar que, diante do candidato do PL, parte relevante do eleitorado ainda prefere o atual presidente.
O que os números significam para a corrida presidencial de 2026
Pesquisas de junho em ano eleitoral têm valor preditivo moderado no Brasil. Meses de campanha, debates televisivos, definição de alianças e eventuais surpresas econômicas ainda podem alterar o quadro de forma significativa. Em 2022, os levantamentos de junho subestimaram o desempenho de Bolsonaro no primeiro turno — o que pede cautela na leitura dos dados atuais.
Para a oposição, o quadro exige aceleração. Flávio Bolsonaro precisa converter parte dos indecisos e consolidar o apoio de lideranças de centro-direita que ainda avaliam entrar na disputa ou apoiar outro nome. A janela partidária e o prazo para registro de candidaturas no TSE serão marcos decisivos para a configuração final do campo oposicionista.
A próxima rodada da pesquisa Genial/Quaest está prevista para julho de 2026 e deve trazer novos cenários, incluindo eventuais terceiros candidatos capazes de interferir na polarização entre PT e PL. Por enquanto, os 6 pontos de diferença no segundo turno representam o principal termômetro público da corrida ao Palácio do Planalto.
