Manuela Dias traz uma nova perspectiva para a história da Independência do Brasil, revelando o papel das mulheres nessa batalha que vai além do que aprendemos sobre o Grito do Ipiranga e Dom Pedro I. Em seu livro “Heroínas da Independência”, lançado pela editora Voante, a escritora usa a linguagem do cordel para contar a trajetória de figuras femininas que lutaram e resistiram, principalmente na Bahia, até o 2 de julho de 1823.

O poder das mulheres na luta

Com a cadência do cordel e a oralidade típica do Nordeste, Manuela apresenta personagens como Maria Quitéria, que desafiou as regras da época ao se vestir de homem para entrar no exército; Joana Angélica, abadessa que morreu tentando impedir a entrada dos portugueses no convento da Lapa; e Maria Felipa, cuja história de resistência foi passada de geração em geração na Ilha de Itaparica, liderando mulheres contra as forças portuguesas.

A autora destaca que a historiografia dominante tem apagado a participação decisiva da população nordestina, negra e feminina nessa guerra de independência que não foi pacífica. Segundo Manuela, esse apagamento influencia como entendemos nossa história e nosso futuro. “Saber que nós, povo, mulheres, nordestinos, participamos de uma guerra que resultou na Independência do nosso país é muito poder. E é por isso que tiram esse poder da gente”, afirma.

De pesquisa a obra literária e audiovisual

O livro nasceu de uma pesquisa que Manuela desenvolveu para um longa-metragem em parceria com o ator e diretor Antônio Pitanga. Na Bahia, a data de 2 de julho tem um valor imenso, como recorda o historiador Ubiratan Castro de Araújo, para quem os baianos diziam: “Maior que o Dois de Julho? Só Deus!”. Ainda assim, essa parte da história ficou relegada a notas de rodapé por muito tempo.

Outro destaque do livro é a republicação da obra da historiadora Eny Kleyde Vasconcelos sobre Maria Felipa, que Manuela encontrou em um sebo e considerou fundamental para valorizar a memória da guerreira itaparicana. “É uma mulher contando a história de uma mulher que conta a história de uma mulher”, define a autora.

O cordel como ferramenta de resgate

Manuela nunca havia escrito em cordel antes, mas sentiu que essa linguagem popular era perfeita para dar voz às histórias dessas heroínas. O livro será lançado em Salvador no próximo sábado (18) na livraria Terra Libris e em São Paulo no dia 25.

Enquanto isso, o roteiro do filme ainda está em andamento, ampliando o alcance dessa narrativa que coloca as mulheres e os nordestinos no centro da luta pela independência do Brasil.

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