Cerca de centenas de pessoas se reuniram próximas à fronteira com Gaza em uma mobilização que contou com a participação de autoridades do governo israelense e parlamentares. O objetivo da marcha, realizada no domingo, foi reivindicar a reconstrução dos assentamentos judeus que foram evacuados em 2005, quando Israel se retirou do território palestino.
A caminhada contrariou uma ordem militar emitida de última hora que restringia o trajeto dos manifestantes. A decisão das forças armadas foi motivada pela preocupação de que alguns participantes pudessem tentar atravessar a cerca que delimita Gaza, região sob bloqueio.
Marcha e apoio político
O evento, organizado pelo grupo de colonos Nachala, foi divulgado como “Marcha dos Milhares”, com os organizadores afirmando a presença de mais de 10 mil pessoas, embora a mídia local tenha estimado um público de algumas centenas. Daniella Weiss, líder de Nachala, tem longa trajetória defendendo a retomada das áreas em Gaza, e em discurso recente afirmou que os palestinos desapareceriam da região.
Vídeos verificados por uma equipe de checagem mostram dezenas de israelenses reunidos ao longo da cerca fronteiriça. Entre os presentes na marcha estavam o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também responsável pelos assuntos relacionados aos assentamentos, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, além de mais de duas dezenas de outros ministros e legisladores.
Posicionamentos e controvérsias
Smotrich e Ben-Gvir enfrentam sanções de diversos países europeus. Durante a marcha, eles carregavam um banner com a frase “voltando para casa após 21 anos”, em referência à reconstrução dos assentamentos de Elei Sinai, Dugit e Nisanit. Estas comunidades foram desocupadas durante a retirada israelense em 2005.
Ben-Gvir publicou um vídeo em redes sociais em meio aos manifestantes com a legenda “Gaza é nossa”. Smotrich também convocou os israelenses a não perderem a oportunidade histórica de reocupar os assentamentos.
Para a advogada e analista palestina Diana Buttu, a iniciativa israelense é resultado da ausência de responsabilização internacional. Ela declarou que a falta de punição incentivou Israel a prosseguir com ações que ela classificou como genocídio e limpeza étnica, facilitando a apropriação de terras.
Em dezembro do ano anterior, ativistas do Nachala já haviam entrado temporariamente em Gaza, hasteando uma bandeira israelense antes de serem retirados pelos soldados.
Com informações de www.aljazeera.com.
