O meio-campista Thomas Partey foi convocado nesta terça-feira (26) para a pré-lista de 28 jogadores de Gana na Copa do Mundo 2026, mesmo respondendo a um processo criminal no Reino Unido por sete acusações de estupro e um crime de agressão sexual. O jogador de 32 anos defende o Villarreal na Espanha, tem julgamento previsto para 2027 e declarou-se inocente de todas as acusações.
A convocação gerou reações imediatas no futebol mundial. Federações nacionais enfrentam pressão crescente para definir critérios claros ao selecionar atletas que respondem a processos legais graves. A comissão técnica de Gana optou por manter o jogador na lista preliminar com base em sua trajetória na seleção e na participação nas eliminatórias.
As acusações contra Partey envolvem alegações de quatro mulheres diferentes, referentes a episódios ocorridos entre 2020 e 2022. O atleta foi indiciado inicialmente em julho do ano passado, poucos dias após o encerramento de seu contrato com o Arsenal. Em agosto, dois dias depois de receber liberdade mediante fiança, assinou com o Villarreal.
Gana chega ao torneio sem um de seus principais nomes no ataque. O ponta do Tottenham Hotspur Mohammed Kudus foi descartado por lesão, baixa que enfraquece o setor ofensivo da seleção africana.
Trajetória de Partey: de Arsenal a Villarreal
Partey passou cinco temporadas no Arsenal e se consolidou como um dos melhores volantes da Premier League. O clube londrino o contratou em outubro de 2020 após pagar sua cláusula de rescisão junto ao Atlético de Madrid. O ganês acumulou elogios pela distribuição de jogo e pela intensidade defensiva.
O vínculo com o Arsenal encerrou naturalmente em junho de 2025, exatamente quando as acusações criminais vieram a público. O timing alimentou especulações sobre uma possível pressão interna para não renovar o contrato, mas nenhuma declaração oficial foi feita pelo clube.
O Villarreal assumiu o risco e contratou o jogador em agosto de 2025, dois dias após a concessão de fiança. Partey atua com regularidade pela equipe espanhola na La Liga, desempenho que pesou na decisão da federação ganesa de mantê-lo na pré-lista.
Com 58 partidas pela seleção, o meio-campista é um dos jogadores mais experientes do grupo. Atuou nas eliminatórias para o Mundial e foi peça frequente no esquema da comissão técnica.
Processo criminal no Reino Unido e impacto na carreira
As sete acusações de estupro e o crime de agressão sexual dizem respeito a alegações de quatro mulheres. Os episódios teriam ocorrido entre 2020 e 2022, quando Partey estava em plena atividade pelo Arsenal na Inglaterra.
O atleta disse ser inocente perante a Justiça britânica. O julgamento está marcado para 2027, ou seja, a Copa do Mundo de 2026 acontece antes de qualquer veredicto. Esse fator sustenta, do ponto de vista legal, a presunção de inocência usada implicitamente para mantê-lo na pré-convocação.
Em outros países e competições, atletas envolvidos em processos semelhantes foram afastados preventivamente por federações ou clubes antes de qualquer condenação. A Federação Ganesa de Futebol seguiu caminho oposto e priorizou o desempenho esportivo do jogador.
Organizações de defesa dos direitos das mulheres no Reino Unido já criticaram publicamente a contratação pelo Villarreal em 2025. A convocação para o Mundial tende a reabrir esse debate, sobretudo na imprensa britânica.
Copa do Mundo 2026 e as perspectivas de Gana
O Copa do Mundo 2026 será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México — o primeiro com 48 seleções. Gana se classificou entre os países africanos e construiu parte de sua campanha nas eliminatórias com Partey como titular.
A lesão de Kudus, o jogador mais criativo do elenco segundo a própria federação, pesa sobre as ambições ganesas. O ponta do Tottenham ficará fora até depois do início da competição, de acordo com informações divulgadas pelo país.
A pré-lista de 28 nomes ainda passará por cortes antes da definição do grupo que viajará à América do Norte. Partey deve permanecer entre os selecionados, salvo algum desdobramento esportivo ou jurídico nas próximas semanas.
O caso expõe um dilema recorrente no esporte de alto nível: o que fazer com atletas de destaque que enfrentam acusações graves fora dos gramados. Não há consenso entre as federações internacionais. Cada situação é tratada de forma isolada, com critérios que raramente são explicados ao público.
