O deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) foi anunciado como pré-candidato ao governo de Minas Gerais depois que outras opções do Partido dos Trabalhadores foram descartadas. Ele não estava entre as primeiras escolhas do presidente Lula para a disputa estadual, surgindo como alternativa após o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recusar o convite, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) declinar e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) também não aceitar. Conversas com outras legendas também não avançaram.

Trajetória política e perfil

Com 74 anos, Patrus possui uma longa carreira política e experiência administrativa. Foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996, cargo que ocupou como o primeiro petista a governar a capital mineira. Durante sua gestão, implementou o Orçamento Participativo que envolvia moradores das periferias nas decisões relacionadas a obras e serviços públicos. Em 1994, reabriu o Restaurante Popular, fortalecendo a segurança alimentar, área que mais tarde o projetaria em âmbito nacional.

Patrus também atuou como ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, função na qual coordenou a criação do Bolsa Família em 2004, transportando para Brasília parte da experiência obtida em Belo Horizonte. tem formação jurídica, é professor e advogado de movimentos populares, e mantém uma conexão com a Teologia da Libertação, representada pelo anel de tucum que usa na mão esquerda.

Campanhas e disputas eleitorais

Na eleição para governador de Minas em 1998, Patrus terminou em terceiro lugar, atrás do ex-presidente Itamar Franco (PMDB) e do então governador Eduardo Azeredo (PSDB). Em 2002, foi o deputado federal mais votado do estado, com 520.046 votos, recorde que permaneceu por 20 anos até ser superado por Nikolas Ferreira (PL-MG) em 2022.

Em 2010, após deixar o ministério, tentou novamente concorrer ao governo do estado, mas perdeu as prévias do PT para Fernando Pimentel, que foi candidato a governador com o senador Hélio Costa (PMDB) na cabeça da chapa. Patrus ocupou a vice na chapa que foi derrotada no primeiro turno pelo então governador Antônio Anastasia (PSDB).

Em 2012, o PT chamou Patrus para disputar novamente o governo, dessa vez contra o prefeito Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo atual governador Aécio Neves (PSDB). Patrus voltou a perder no primeiro turno. Essas candidaturas refletem a busca do partido para resistir a alianças locais que, na opinião de seu grupo, prejudicaram sua presença política no estado.

Contexto da escolha e contexto atual

O plano inicial de Lula para Minas era o senador Rodrigo Pacheco, recém-filiado ao PSB, que reuniria setores do centro e da direita oferecendo um palanque menos associado ao PT. Com Pacheco anunciando aposentadoria ao fim do mandato, Lula passou a pressionar Marília Campos, que optou por concorrer ao Senado e disparou na liderança das pesquisas para uma das vagas. Ela considerou imprudente uma candidatura própria do PT para governador, destacando a importância de um acordo mais amplo, mas apoiou Patrus após seu anúncio.

Ao longo das negociações, outros nomes foram sondados, como o empresário Josué Gomes (PSB), ex-presidente da Fiesp e filho do ex-vice-presidente José Alencar, a ex-reitora da UFMG Sandra Goulart Almeida (PT), o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB) e o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares (PSB), mas nenhum avançou para a disputa.

Patrus Ananias assume, assim, a tarefa que o partido demorou anos para confiar a ele, depois de uma série de recusas e dificuldades na composição da candidatura do PT em Minas. Seu perfil técnico, histórico na administração pública e vínculos com movimentos populares apontam para uma campanha focada na retomada das políticas sociais e no diálogo com as bases tradicionais do partido.

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