O economista Paul Krugman, laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 2008, manifestou críticas à abertura de uma investigação pelo governo dos Estados Unidos sobre o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos. Segundo ele, a iniciativa americana representa uma tentativa de punir o Brasil pelo êxito da plataforma nacional.
Em artigo publicado em 20 de julho de 2026, Krugman destaca que o Pix se tornou uma referência global em pagamentos digitais e questiona a fundamentação econômica da investigação conduzida pelo governo de Donald Trump.
Pix e a concorrência no mercado de pagamentos
O governo dos EUA incluiu o Pix no escopo da apuração sobre supostas práticas comerciais brasileiras consideradas desleais. Criado pelo Banco Central do Brasil, o sistema permite transferências e pagamentos em tempo real entre pessoas e empresas.
Krugman defende que a oferta de um sistema público eficiente e de custo reduzido não configura concorrência desleal. Ele argumenta que o Pix ampliou a competição ao proporcionar uma alternativa econômica para consumidores e companhias, reduzindo a dependência de meios tradicionais como Visa e Mastercard.
Para o economista, o impacto sobre essas empresas reflete a disputa tecnológica legítima, e não uma vantagem indevida por parte do sistema público.
Contexto político e comparação internacional
Krugman atribui a reação americana à perda de mercado das empresas privadas diante de uma solução pública mais eficiente. Ele já havia defendido o Pix em uma publicação anterior, reforçando a importância de sistemas públicos e moedas digitais emitidas por bancos centrais.
O sucesso do Pix, para Krugman, demonstra que ferramentas públicas podem reduzir custos e melhorar a eficiência dos pagamentos eletrônicos. Ele destaca que os Estados Unidos ficaram atrás nesse debate devido a resistências políticas e pressões do setor de criptomoedas.
O economista também compara o caso brasileiro com a experiência de El Salvador com o Bitcoin. Enquanto o Pix se tornou amplamente utilizado pela população, a tentativa do governo salvadorenho de popularizar a criptomoeda como meio de pagamento de massa não teve êxito.
Impactos das tarifas e perspectivas comerciais
No desfecho do artigo, Krugman avalia que as tarifas propostas pelo governo Trump dificilmente trarão os resultados esperados. Ele ressalta que as medidas podem encarecer produtos brasileiros consumidos pelos americanos, como café, carne bovina e suco de laranja.
O economista acrescenta que o Brasil deve expandir sua presença comercial em outros mercados, citando a economista Mônica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, que considera que as tarifas reforçaram a posição brasileira no comércio internacional.
Krugman conclui sua análise com uma crítica mais ampla à política econômica do governo Trump, destacando que a estratégia americana não será eficaz para conter o avanço do Brasil no setor de pagamentos digitais.
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Com informações de g1.globo.com.
