Uma pesquisa inédita realizada em julho de 2026 indicou que 51% dos brasileiros têm uma percepção negativa de influenciadores que anunciam casas de apostas. Apenas 9% avaliam essa prática de forma positiva, enquanto 19% permanecem neutros e 21% não souberam ou não responderam.

O levantamento foi conduzido pela organização inglesa More in Common em parceria com o instituto Ipsos-Ipec. Foram entrevistadas duas mil pessoas com 16 anos ou mais, em 130 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Visão crítica e impacto na confiança

Entre os entrevistados que têm uma opinião negativa, 22% classificaram esses influenciadores como irresponsáveis, egoístas, manipuladores e sem ética. Outros 17% entendem que são más influências que exploram o público, 8% os veem como pessoas que buscam apenas lucro próprio, e 4% afirmam que deixam de seguir esses perfis e defendem punições ou a proibição das propagandas.

Ao ser questionada a respeito do efeito que a publicidade de apostas tem na confiança do público, 40% disseram não confiar ou confiar menos em artistas, atletas e influenciadores que promovem bets. Já 53% afirmaram que sua confiança permanece inalterada, 4% declararam confiar mais e 4% não souberam ou não responderam.

Esse índice de desconfiança é ainda mais pronunciado entre aqueles com ensino superior, onde alcança 48%, e entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos, com 46%. Segundo Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common no Brasil e professor da Universidade de São Paulo, esses dados indicam um custo elevado para os influenciadores em reputação, principalmente diante do público de maior valor publicitário.

Expansão do mercado de apostas e resposta do setor

O setor de apostas tem investido fortemente em marketing. Um relatório do Itaú de 2024 estimava gastos entre R$ 5,8 bilhões e R$ 8,8 bilhões, números que, segundo especialistas, devem ser superiores em 2026. O patrocínio master da Série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, por exemplo, cresceu 125% em dois anos, fazendo do setor o terceiro maior anunciante da televisão.

Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ressaltou a necessidade de distinguir influenciadores que promovem operadores autorizados pelo Ministério da Fazenda daqueles que divulgam plataformas ilegais. Ele destacou que o mercado clandestino frequentemente viola normas de publicidade, direciona campanhas a menores, faz promessas enganosas e desrespeita regras de proteção ao consumidor, o que tem motivado operações policiais constantes.

Casos individuais e mudanças legislativas

O cabeleireiro Isaac Pinto de Andrade, de 43 anos, morador de Campinas, move uma ação judicial contra três empresas ligadas a plataformas de apostas e contra influenciadores famosos como Virginia Fonseca, Deolane Bezerra e Carlinhos Maia. Ele atribui a esses perfis parte da responsabilidade por seu transtorno de jogo, que resultou na perda de mais de R$ 100 mil.

Em junho de 2026, a Justiça de Campinas excluiu influenciadores de um processo movido por Andrade, que buscava indenização pelos prejuízos financeiros sofridos. A situação dele reflete um quadro de crescente preocupação social com o impacto da publicidade de apostas.

Em resposta às controvérsias, o governo federal instituiu, em julho de 2026, novas regras que restringem a propaganda do setor. Diversos estados e capitais também analisam ou já aprovam legislações locais para limitar essas publicidades.

Presença intensa na mídia e repercussão

A Copa do Mundo de 2026 trouxe ampla exposição para a publicidade de apostas. O jogador Vini Jr. protagonizou uma campanha como o personagem “Vini Sênior”, enquanto nomes como Galvão Bueno, Cafu, Zinho, Renato Gaúcho e Túlio Maravilha também participaram de anúncios do segmento.

Essa visibilidade, no entanto, não se refletiu em aceitação pelo público, segundo a pesquisa, que mostrou elevada rejeição e queda na confiança nesses influenciadores. A tendência indica desafios para a credibilidade dessas figuras públicas e para a própria sustentabilidade da publicidade no ramo de apostas.

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