A Polícia Federal rejeitou, em junho de 2026, a segunda proposta de acordo de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, empresário investigado em inquérito sob condução da corporação. As condições oferecidas por ele não atenderam aos requisitos mínimos exigidos pelos delegados responsáveis pelo caso.
A delação premiada é um instrumento jurídico previsto na legislação brasileira que permite redução de penas ou outros benefícios processuais a investigados que colaborem com as autoridades. Para ser aceita, a proposta precisa apresentar elementos que ampliem o alcance das apurações em curso. A PF não divulgou os motivos específicos da recusa — prática comum em investigações sigilosas.
Esta é a segunda rejeição consecutiva de uma proposta formulada pela defesa de Vorcaro. O impasse nas negociações pode trazer consequências diretas para os rumos do inquérito.
O que se sabe sobre o caso e a investigação da PF
Daniel Vorcaro preside o Banco Master e figura entre os empresários de maior projeção no setor financeiro brasileiro. O inquérito da Polícia Federal que apura sua conduta gerou atenção do mercado financeiro e do sistema judiciário, embora os detalhes permaneçam sob sigilo.
A tentativa de firmar um acordo de colaboração sugere que Vorcaro e sua equipe jurídica avaliaram que a cooperação com as autoridades seria vantajosa do ponto de vista processual. A dupla rejeição indica que a PF considera as informações ou condições propostas insuficientes para justificar os benefícios que seriam concedidos ao investigado.
A rejeição consecutiva pode indicar ao menos três cenários: a defesa oferece informações já conhecidas pelos investigadores; as condições processuais pedidas são consideradas excessivas; ou o conjunto probatório reunido pela PF dispensa a cooperação do investigado. Nenhuma dessas hipóteses foi confirmada oficialmente.
Próximos passos e impacto no inquérito federal
Com a segunda rejeição, a defesa de Vorcaro pode seguir caminhos distintos. Ela pode apresentar uma terceira proposta reformulada, buscar a intervenção do Ministério Público Federal para mediar as negociações ou abandonar a tentativa de colaboração e adotar outras estratégias jurídicas. Cada alternativa tem implicações diferentes para o andamento do caso.
A recusa não paralisa as investigações. A Polícia Federal segue apurando os fatos por meio de quebras de sigilo, perícias contábeis, oitivas de testemunhas e cooperação com o Banco Central e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
A trajetória do caso Vorcaro no sistema de Justiça brasileiro está longe do desfecho. Uma terceira proposta, um indiciamento formal ou uma decisão judicial deve repercutir nos mercados financeiros e no debate regulatório sobre o setor bancário nacional.
A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da defesa de Daniel Vorcaro e da Polícia Federal, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O caso segue em acompanhamento.