O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, realizou na tarde desta segunda-feira (27) uma reunião com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC). O encontro teve como objetivo discutir o andamento do empréstimo no valor de R$ 6,6 bilhões destinado a recuperar a instituição financeira, que enfrenta dificuldades após operações com o Banco Master.
Contexto da crise no BRB
A situação delicada do BRB está relacionada a transações realizadas entre 2024 e 2025 com o Banco Master, pertencente a Daniel Vorcaro, que totalizaram cerca de R$ 30 bilhões, segundo informações do próprio banco. Em abril, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso sob suspeita de autorizar operações sem lastro e sem seguir normas rigorosas de governança.
As investigações da Polícia Federal, iniciadas em novembro de 2025 na operação Compliance Zero, apontaram um esquema de fraudes financeiras envolvendo grande parte dessas transações. Estima-se que R$ 8,8 bilhões em créditos adquiridos do Banco Master sejam inexistentes, fraudulentos ou de difícil recuperação, configurando o que é conhecido como crédito podre.
Esforços para o socorro financeiro
Para enfrentar esse rombo, o governo do Distrito Federal e o BRB buscam liberar o empréstimo aprovado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A lei que autoriza o crédito de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho. O valor visa cobrir parte significativa dos títulos considerados irrecuperáveis.
O governo afirma dispor de outras medidas que podem recuperar cerca de R$ 2,2 bilhões, complementando a estratégia para equilibrar as contas da instituição. No entanto, o empréstimo é indispensável para suprir o restante da dívida e garantir a estabilidade do banco.
Reuniões e negociações recentes
Esse não foi o primeiro encontro entre as lideranças. No dia 14 de julho, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, participou de reunião semelhante com Nelson Antônio de Souza e Gabriel Galípolo. Naquela ocasião, o grupo optou por não conceder entrevistas, e o governo classificou o encontro como técnico.
Na tarde desta segunda, além de Nelson Antônio de Souza, a diretora-executiva de Controles e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa, permaneceu na sede do Banco Central para dar continuidade às negociações.
Reações do governo federal
Na manhã do mesmo dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco, que o BRB realizou uma transação em que transferiu R$ 12 milhões ao Banco Master e recebeu em troca papéis sem valor real, referindo-se à situação problemática gerada pelas operações com essa instituição.
Essas declarações reforçam as dificuldades enfrentadas pelo BRB para reverter o impacto das operações irregulares e reforçam a necessidade do empréstimo para preservar a saúde financeira do banco.
