Centenas de manifestantes pró-palestinos tomaram as ruas de Londres neste domingo, 14 de junho de 2026, para protestar contra o “Grande Evento Imobiliário Israelense”, feira que vendeu terrenos e imóveis em assentamentos israelenses ilegais na Cisjordânia. A Polícia Metropolitana prendeu 15 pessoas durante o dia.

Os manifestantes exibiram cartazes com mensagens como “Parem a venda ilegal de terras palestinas roubadas por Israel” e “Não roubarás”. Do lado de fora do local, entoaram palavras de ordem enquanto um grupo de contra-manifestantes pró-Israel gritava “A Palestina não existe”. A tensão entre os dois grupos exigiu intervenção policial ao longo de todo o dia.

Dezenas de agentes foram mobilizados para separar os grupos. A Polícia Metropolitana confirmou as 15 detenções “por uma série de infrações, incluindo questões de ordem pública”, segundo nota oficial da corporação, sem detalhar a identidade ou filiação dos detidos.

Manifestantes denunciam ilegalidade da venda de terras palestinas no Reino Unido

A agência imobiliária My Home in Israel organizou o evento e atraiu forte oposição desde o anúncio. Para os manifestantes, permitir uma feira desse tipo em solo britânico equivale a cumplicidade com a ocupação israelense da Cisjordânia, territórios considerados ocupados sob o direito internacional e onde a construção de assentamentos é condenada por organismos como a ONU.

“Estamos aqui hoje protestando como palestinos que vivem em Londres para dizer que recusamos a venda de nossas terras, de nossa pátria. Sabemos que o que está acontecendo hoje é ilegal sob o direito internacional.”

Jeanine Hourani, organizadora do Palestinian Youth Movement

Para os organizadores do protesto, não se trata de ato simbólico. A comercialização de propriedades em territórios ocupados viola normas como a Quarta Convenção de Genebra e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Ativistas de direitos humanos e parlamentares britânicos de diferentes partidos enviaram apelos ao governo antes da realização do evento, pedindo sua proibição. O governo britânico não adotou medidas legais para impedir a feira.

📊 Contexto: Os assentamentos israelenses na Cisjordânia são considerados ilegais pelo direito internacional, incluindo a posição oficial da ONU, da União Europeia e do próprio Reino Unido. Desde 1967, Israel expandiu progressivamente sua presença em territórios palestinos ocupados. Hoje, mais de 700 mil colonos israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, segundo estimativas de organizações de monitoramento do conflito.

Tensão nas ruas: confronto entre grupos e ação policial

A presença simultânea dos dois grupos criou clima de alta tensão nas imediações do evento. Ativistas palestinos e aliados exigiam o encerramento imediato da feira. Apoiadores pró-Israel defendiam a realização como legítima atividade comercial. O embate verbal entre os lados exigiu intervenção policial contínua.

Nos últimos anos, manifestações pró-Palestina se intensificaram em Londres e em outras cidades britânicas, especialmente após a escalada do conflito Israel-Gaza iniciada em outubro de 2023. A realização de um evento comercial voltado à venda de imóveis em assentamentos ilegais na capital britânica reacendeu o debate sobre os limites da liberdade comercial quando territórios sob ocupação militar estão envolvidos.

  • Organizador do evento: agência imobiliária My Home in Israel
  • Local: Londres, Reino Unido, 14 de junho de 2026
  • Manifestantes: centenas de ativistas pró-Palestina, incluindo membros do Palestinian Youth Movement
  • Contra-manifestantes: grupo pró-Israel presente no local em apoio ao evento
  • Presos: 15 pessoas detidas pela Polícia Metropolitana por infrações de ordem pública
  • Policiamento: dezenas de agentes mobilizados durante todo o dia

A pressão de ativistas e parlamentares britânicos sobre o governo deve continuar nas próximas semanas. Organizações de direitos humanos prometem ampliar a mobilização caso eventos similares sejam anunciados. Ao permitir feiras imobiliárias que comercializam propriedades em territórios considerados ilegalmente ocupados, o Reino Unido contradiz sua própria política externa declarada de oposição aos assentamentos na Cisjordânia, posição que o país mantém junto à ONU e à União Europeia há décadas.

Compartilhar.