O PT protocolou pedidos formais ao STF e à Polícia Federal para investigar suposto caixa 2 na produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, apontando movimentação de R$ 61 milhões com recursos no exterior ligados à campanha de Flávio Bolsonaro.
O documento enviado às duas instituições aponta que a produção cinematográfica movimentou cerca de R$ 61 milhões, com parte desses recursos usada para, nas palavras do PT, “sustentar a estrutura de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos” — atividade que o partido classifica como de “função eminentemente político-eleitoral”. A denúncia se baseia em reportagens do The Intercept Brasil sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e tratativas para o financiamento do longa.
O PT alega ainda que emendas parlamentares foram direcionadas a empresas vinculadas à produtora do filme. Esse ponto pode configurar abuso de poder econômico e amplia o escopo da investigação para além do campo eleitoral, alcançando a esfera criminal e orçamentária.
O que o PT alega sobre o financiamento do filme Dark Horse
No centro da denúncia está a alegação de que o financiamento do Dark Horse envolve uma “operação financeira complexa” com recursos no exterior. Para o partido, essa estrutura é incompatível com a transparência exigida pela legislação eleitoral brasileira.
“Caso confirmadas irregularidades pelos órgãos de investigação, poderão surgir elementos aptos a caracterizar ilícitos eleitorais e penais, inclusive aqueles relacionados à omissão, dissimulação ou falsidade de informações relevantes para a fiscalização da atividade político-eleitoral, entre eles a hipótese de falsidade ideológica eleitoral (‘caixa 2’), prevista no art. 350 do Código Eleitoral.”
Diretório Nacional do PT, trecho do pedido protocolado no STF e na PF
O PT cita expressamente o artigo 350 do Código Eleitoral, que trata de falsidade ideológica eleitoral — crime com pena de reclusão de um a cinco anos, além de inelegibilidade. Código Eleitoral brasileiro A menção ao dispositivo confere base técnica ao pedido e pressiona os órgãos competentes a abrirem apurações formais.
O partido aponta ainda que emendas parlamentares teriam sido canalizadas para empresas ligadas à produtora do filme. Esse caminho conecta o financiamento privado da produção a recursos do orçamento federal — e torna o caso mais sensível do ponto de vista institucional.
Quem são os envolvidos e qual o contexto político da denúncia
O filme Dark Horse, também chamado de O Azarão, é uma produção norte-americana sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O ator Jim Caviezel, conhecido pelo papel de Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, interpreta o ex-presidente na obra. O deputado federal Mário Frias (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem publicamente associados ao projeto.
As reportagens do The Intercept Brasil relatam conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, sobre o financiamento da produção. Banco Master Daniel Vorcaro Para o PT, essas tratativas sugerem um canal alternativo de entrada de recursos na órbita política da família Bolsonaro.
- Valor total alegado: cerca de R$ 61 milhões movimentados na produção do filme
- Uso contestado: parte dos recursos teria sustentado a estrutura de Eduardo Bolsonaro nos EUA
- Fundamento legal: art. 350 do Código Eleitoral — falsidade ideológica eleitoral (caixa 2)
- Agravante apontado: emendas parlamentares direcionadas a empresas vinculadas à produtora
- Órgãos acionados: STF e Polícia Federal
- Fonte das apurações jornalísticas: reportagens do The Intercept Brasil
Flávio Bolsonaro figura entre os principais nomes do PL candidaturas 2026 campo bolsonarista para as eleições futuras. Ao acionar simultaneamente o STF e a PF, o PT busca ampliar a pressão institucional sobre o senador e seus aliados.
Produções cinematográficas já serviram em outros países como veículo de financiamento político indireto, sobretudo quando envolvem campanhas de imagem de líderes. No Brasil, a legislação eleitoral exige declaração rigorosa da origem de recursos usados em campanhas. Qualquer desvio nesse campo representa risco jurídico considerável para os envolvidos.
Até agora, nem Flávio Bolsonaro, nem representantes do Banco Master ou da produtora do filme se pronunciaram sobre os pedidos protocolados pelo PT. O STF e a PF não confirmaram o recebimento dos documentos nem sinalizaram abertura de apurações. As autoridades podem arquivar os pedidos, requisitar informações adicionais ou determinar a abertura de inquéritos.
