Vladimir Putin negou nesta sexta-feira (29 de maio de 2026) que a Rússia seja responsável pelo drone que atingiu um prédio residencial em Galati, no leste da Romênia, e deixou dois feridos. Em coletiva realizada horas após o bombardeio, desafiou o governo romeno a entregar os destroços para que Moscou conduzisse sua própria investigação.
O ataque ocorreu em área sensível: Galati fica às margens do rio Danúbio, na fronteira direta com a Ucrânia, palco de combates intensos desde a invasão russa de fevereiro de 2022. A incursão em território romeno, país membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte, elevou imediatamente a tensão diplomática entre Moscou e a aliança ocidental.
O Ministério da Defesa da Romênia foi direto: o drone era de origem russa. O porta-voz do quartel-general militar da Otan reforçou a declaração, contrariando frontalmente a versão do Kremlin.
Putin desafia Romênia a provar origem russa do drone
Putin adotou tom provocativo ao comentar o episódio. Questionado sobre a responsabilidade russa, negou qualquer envolvimento e lançou o desafio às autoridades romenas e aos aliados da Otan.
“Ninguém sabe a origem de um drone. Drones ucranianos voaram para a Polônia e países bálticos antes… Acho que isso aconteceu novamente. Que eles entreguem, então, os destroços para a Rússia e assim faremos uma investigação.”
Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa
A declaração segue padrão já visto em episódios anteriores do conflito: diante de evidências que apontam para ações russas em território da Otan, o Kremlin atribui a responsabilidade à Ucrânia ou questiona a cadeia de custódia das provas. Em novembro de 2022, um míssil caiu na Polônia e gerou disputa semelhante de narrativas — investigações posteriores apontaram para projétil ucraniano disparado em missão defensiva.
Putin também desmentiu avaliações ocidentais sobre as intenções de Moscou. Segundo ele, afirmações de que a Rússia prepara guerra contra a Europa são “mentira”. Disse não saber quando o conflito na Ucrânia termina, mas garantiu que as tropas russas avançam “a cada dia”.
Otan mantém versão: drone era russo e representa escalada perigosa
A Otan não recuou diante das negativas de Moscou. O porta-voz do quartel-general militar reafirmou que o drone abatido em Galati era de origem russa, sem abrir espaço para a tese apresentada por Putin, que atribuiu episódios anteriores a erros ou ações da própria Ucrânia.
A queda em território romeno é uma das mais graves violações do espaço aéreo de um país membro da aliança desde o início do conflito. Os dois feridos no prédio residencial de Galati representam o dado mais concreto de dano humano direto a civis em solo aliado, o que aumenta a pressão sobre os governos ocidentais para respostas mais assertivas.
Os incidentes com drones em países vizinhos à Ucrânia se intensificaram ao longo de 2025 e 2026. Veja os principais episódios anteriores ao ataque em Galati:
- Polônia (novembro de 2022): Míssil caiu em território polonês, matando dois agricultores; investigação concluiu que era ucraniano, disparado em missão defensiva.
- Países Bálticos (2023-2024): Múltiplos drones não identificados sobrevoaram o espaço aéreo da Estônia, Letônia e Lituânia, acionando caças da Otan.
- Romênia (2023): Primeiros fragmentos de drones foram encontrados em território romeno próximo ao Danúbio, sem feridos registrados.
- Romênia, Galati (29 de maio de 2026): Drone atinge prédio residencial, fere duas pessoas; Ministério da Defesa e Otan apontam origem russa.
Pressão diplomática e resposta da Otan
O ataque em Galati deve acelerar discussões já em curso na aliança sobre o reforço do escudo de defesa aérea no flanco leste, especialmente na Romênia, Bulgária, Hungria e Eslováquia, países que compartilham fronteiras ou proximidade com a zona de conflito. Fontes diplomáticas europeias indicam que reuniões de avaliação de segurança já estavam agendadas para as próximas semanas no âmbito do Conselho do Atlântico Norte.
A postura de Putin — negar responsabilidade e apresentar o avanço militar como sinal de vitória próxima — expõe a estratégia dual do Kremlin. Moscou rejeita acusações para evitar acionar formalmente o Artigo 5 da Otan, que prevê defesa coletiva, enquanto mantém pressão sobre a Ucrânia e seus vizinhos. A combinação de negação e provocação, como o desafio de entregar destroços, é consistente com a comunicação estratégica russa desde 2014.
Nos próximos dias, Bucareste e Bruxelas precisam apresentar laudos técnicos definitivos sobre a origem do equipamento. Se os destroços confirmarem fabricação russa, o governo romeno poderá acionar os mecanismos de consulta da aliança — transformando o episódio de incidente isolado em crise diplomática de consequências ainda abertas para o relacionamento entre Rússia e Ocidente.
