A repescagem na história da Copa do mundo é um tema que evoca tensões e reviravoltas marcantes. Este formato, que oferece uma nova oportunidade para seleções eliminadas, tem sido palco de confrontos icônicos e situações políticas complexas ao longo das décadas.

Atualmente, a repescagem se divide em dois formatos principais: o intercontinental, que envolve seleções de diferentes regiões, e o europeu, que é mais recente e exclusivo da UEFA. A quantidade de vagas em disputa tem variado, refletindo a evolução da Copa do Mundo e contribuindo para momentos decisivos na trajetória rumo ao torneio.

Primeira repescagem

A primeira repescagem ocorreu em 1958, quando o País de Gales, após ser eliminado nas Eliminatórias, foi chamado para um playoff contra israel. Israel havia avançado sem jogar devido a questões políticas e, para evitar que uma seleção se classificasse sem competir, a FIFA organizou um sorteio entre os segundos colocados da Europa, que resultou na convocação dos galeses. Em campo, o País de Gales venceu por 2 a 0 tanto no jogo de ida quanto no de volta, tornando-se a única seleção a se classificar para uma Copa após já ter sido eliminada.

Mudanças nas regras em 1962

Na Copa de 1962, a repescagem passou a fazer parte do regulamento oficial. Com a expansão da competição, mais seleções africanas e asiáticas começaram a participar das Eliminatórias. Assim, a repescagem intercontinental foi implementada, com a espanha derrotando o marrocos, a Iugoslávia superando a coreia do sul e o México vencendo o paraguai.

Conflitos e simbolismos em 1974

A repescagem de 1974 ficou marcada por um episódio político significativo. Após o golpe militar no chile, o Estádio Nacional de Santiago foi transformado em um centro de detenção, levando a União Soviética a se recusar a jogar o jogo de volta contra o Chile. A FIFA, no entanto, manteve a partida, e o Chile entrou em campo, tocando a bola e marcando em um gol vazio, garantindo sua vaga de forma inusitada.

Tragédia na Escócia em 1986

A repescagem para a Copa de 1986 também teve seu drama. A Escócia chegou ao playoff após um empate emocionante com o País de Gales. Após a partida, o técnico Jock Stein sofreu um infarto fatal. Sob a direção de Alex Ferguson, a equipe enfrentou a Austrália e conseguiu a classificação, carregando a carga emocional do evento trágico.

Ídolos e gerações em 1990 e 1994

A Colômbia retornou à Copa após 28 anos, vencendo Israel na repescagem de 1990. Em 1994, a argentina, liderada por Diego Maradona, superou a Austrália para garantir sua vaga, após um empate fora e uma vitória apertada em Buenos Aires.

Drama do Irã em 1998

Na repescagem de 1998, o Irã eliminou a Austrália pelo critério de gols fora após um empate em 3 a 3 no agregado, garantindo uma classificação histórica.

Sobreviventes a partir de 2002

Nos anos 2000, algumas seleções se destacaram nesse tipo de disputa. O uruguai se tornou um exemplo, revertendo derrotas em 2002, 2010 e 2014. Em 2006, a Austrália venceu o Uruguai nos pênaltis, enquanto Trinidad e Tobago conquistou uma vaga inédita ao derrotar o bahrein.

Novas histórias em 2018 e 2022

Em 2018, o peru voltou à Copa após 36 anos, eliminando a Nova Zelândia. Na Copa de 2022, a Austrália novamente se destacou, eliminando o Peru nos pênaltis, enquanto a costa rica também garantiu sua vaga ao vencer a Nova Zelândia.

Classificados na repescagem intercontinental

  • 1958: País de Gales
  • 1962: Espanha, Iugoslávia, México
  • 1974: Chile
  • 1978: hungria
  • 1986: Escócia
  • 1990: Colômbia
  • 1994: Argentina
  • 1998: Irã
  • 2002: irlanda, Uruguai
  • 2006: Austrália, Trinidad e Tobago
  • 2010: Nova Zelândia, Uruguai
  • 2014: México, Uruguai
  • 2018: Peru, Austrália
  • 2022: Austrália, Costa Rica

Para a Copa de 2026, um novo modelo será implementado: um Torneio de Repescagem da FIFA, que reunirá seis seleções em uma sede única para definir as últimas duas vagas do Mundial ampliado.

Repescagem europeia

A repescagem na Europa existe desde os anos 1980, mas ganhou estrutura a partir da década de 1990, tornando-se um palco para jogos emblemáticos. Em 2009, a França avançou sobre a Irlanda com um gol controverso de Thierry Henry. Em 2013, o duelo entre cristiano ronaldo e Zlatan Ibrahimović destacou-se, com Ronaldo marcando quatro gols.

A Itália enfrentou um trauma em 2017 ao ser eliminada pela Suécia e, em 2022, a Azzurra foi surpreendida pela Macedônia do Norte, perdendo a chance de participar de dois Mundiais consecutivos.

Classificados via repescagem europeia

  • 1986: Bélgica
  • 1998: Bélgica, Croácia, Itália, Iugoslávia
  • 2002: Bélgica, alemanha, Eslovênia, turquia
  • 2006: República Tcheca, Espanha, Suíça
  • 2010: França, Grécia, portugal, Eslovênia
  • 2014: França, Grécia, Portugal, Croácia
  • 2018: Suíça, Croácia, dinamarca, Suécia
  • 2022: Portugal, Polônia, País de Gales

A história da repescagem é marcada por momentos únicos e emocionantes, refletindo a complexidade e a paixão que cercam o futebol mundial.

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