A Polícia Civil de Pernambuco concluiu que o ataque relatado pela secretária da Mulher do Cabo de Santo Agostinho foi encenado. A servidora foi exonerada do cargo em junho de 2026, após o inquérito apontar contradições e provas de que ela mesma forjou o episódio.
A secretária havia relatado ter sido vítima de uma agressão, o que motivou a abertura de inquérito policial. Ao longo das investigações, os agentes reuniram indícios suficientes para concluir que o ataque foi simulado, sem qualquer agressor externo envolvido. A polícia encaminhou o resultado ao gabinete do prefeito e ao Ministério Público.
A administração municipal do Cabo de Santo Agostinho exonerou a secretária do cargo que ocupava. A medida é uma consequência direta da apuração policial, e eventuais responsabilidades criminais ainda podem ser discutidas na esfera judicial.
Investigação policial aponta que ataque foi encenado
A Polícia Civil conduziu o inquérito com perícias técnicas, oitivas de testemunhas e análise de imagens de câmeras de segurança. O conjunto de provas foi determinante para derrubar a versão apresentada pela secretária. Casos em que denúncias de agressão se revelam falsas exigem apuração rigorosa para não comprometer a credibilidade de vítimas reais.
Os investigadores também consideraram o histórico de comunicações da servidora e possíveis motivações para a encenação. A polícia trabalhou com a hipótese de que o episódio foi forjado com objetivo específico, ainda a ser esclarecido. O inquérito policial seguiu para o Ministério Público de Pernambuco para as providências cabíveis.
A exoneração de secretária municipal por conduta incompatível com o cargo é prevista na legislação administrativa brasileira. Quando gestores públicos adotam comportamentos que comprometem a integridade da administração, o prefeito pode afastá-los do cargo de confiança independentemente do andamento de processos criminais.
Impacto do caso e próximos passos
Ocupar um cargo dedicado à proteção das mulheres e forjar uma agressão representa um contrassenso institucional grave. O episódio fragiliza a confiança da população nas políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero na gestão pública municipal.
Denúncias falsas de agressão mobilizam equipes policiais, recursos do Estado e atenção da imprensa em torno de fatos que não ocorreram. Especialistas em segurança pública alertam que esse tipo de caso pode desestimular vítimas reais de violência a registrar ocorrências, por medo de não serem acreditadas.
- Exoneração do cargo: A secretária foi afastada formalmente após a conclusão das investigações policiais.
- Inquérito encaminhado ao MP: O Ministério Público de Pernambuco analisa o caso e decide sobre eventual denúncia criminal.
- Possível enquadramento legal: A simulação de crime pode configurar o delito de comunicação falsa de crime ou contravenção, previsto no Código Penal Brasileiro.
- Repercussão institucional: O caso alimenta debate sobre critérios de seleção e controle de gestores em secretarias sensíveis.
No âmbito criminal, o artigo 340 do Código Penal tipifica a comunicação falsa de crime e prevê detenção de um a seis meses, ou multa, para quem aciona autoridade policial ou judicial com base em crime inexistente. Dependendo das circunstâncias apuradas, o Ministério Público pode aplicar outros enquadramentos.
A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho não informou quem assume interinamente a pasta da Mulher nem os critérios para escolha do novo titular. Entidades de defesa dos direitos das mulheres no estado cobram transparência da administração municipal e acompanham os próximos passos da investigação. O Ministério Público deve se manifestar nas próximas semanas sobre o encaminhamento jurídico do inquérito.
