Marcas de luxo que atuam na União Europeia enfrentam mudanças significativas com a proibição da destruição de roupas, calçados e acessórios não vendidos. A medida, anunciada em julho de 2026, busca reduzir o desperdício e alinhar o setor às metas ambientais do bloco.
Impacto ambiental e números alarmantes
De acordo com a Agência Europeia do Meio Ambiente, entre 4% e 9% dos produtos têxteis comercializados na Europa são destruídos antes de serem usados, o que equivale a aproximadamente 264 mil a 600 mil toneladas anuais. Bruxelas considera essa prática incompatível com sua estratégia para uma economia circular e para o cumprimento de metas climáticas.
Práticas antigas e polêmicas
A destruição de mercadorias é uma prática usada por grandes marcas para manter a exclusividade dos produtos. Em 2018, a Burberry admitiu ter queimado €31 milhões em mercadorias para preservar sua imagem. Em 2021, a Coach enfrentou críticas após vídeos mostrarem bolsas cortadas antes do descarte. Após a repercussão, a empresa cessou a prática e passou a investir em reparos e revenda.
Desafios para o setor de luxo
O setor precisa equilibrar exclusividade, lucro e responsabilidade ambiental. A destruição de excedentes garantia escassez e evitava que os produtos fossem vendidos em liquidações que pudessem depreciar o valor da marca. Grandes grupos como LVMH, Chanel e Prada enfrentam a preocupação de que a revenda excessiva possa diminuir a percepção de exclusividade.
Alternativas e adaptações estratégicas
Entre as opções para lidar com os estoques não vendidos estão:
- Armazenar os produtos por períodos mais longos, o que aumenta custos logísticos e de segurança.
- Expandir canais de revenda controlados pelas próprias marcas para preservar a imagem.
- Produzir em volumes menores e com maior precisão, ajustando-se à demanda real.
Apesar das estratégias, prever o sucesso comercial das coleções continua sendo um desafio devido às rápidas mudanças nas preferências dos consumidores e nas tendências da moda.
O futuro da exclusividade no luxo
A nova regulamentação da União Europeia representa uma mudança significativa para um segmento que por décadas optou por eliminar os excessos para não perder a aura de raridade. Agora, marcas de luxo terão que inovar em gestão de estoques e canais de comercialização para manter o prestígio sem recorrer à destruição de produtos.