A cidade japonesa de Utsunomiya suspendeu as aulas em todas as suas 94 escolas primárias e secundárias nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, após múltiplos avistamentos de um urso selvagem em áreas residenciais, comerciais e educacionais. O animal, de cerca de um metro de comprimento, permanecia à solta até o último boletim das autoridades, que mobilizaram dezenas de caçadores, policiais e agentes municipais.
Utsunomiya tem 510 mil habitantes e fica a cerca de 100 quilômetros ao norte de Tóquio. O primeiro avistamento ocorreu na noite de sábado, quando moradores viram o animal em uma área residencial próxima a um parque. Novos registros se acumularam ao longo do domingo e da madrugada de segunda-feira, elevando o alerta das autoridades e levando à suspensão das atividades escolares.
Na manhã desta segunda-feira, o urso apareceu perto de um mercado atacadista, a cerca de meio quilômetro de uma escola secundária, segundo a prefeitura. A sequência de aparições em pontos distintos da malha urbana justificou a medida que paralisou o cotidiano de milhares de estudantes.
Cronologia dos avistamentos em Utsunomiya
Os registros se acumularam em menos de 48 horas, mostrando a mobilidade do animal dentro da zona urbana. Abaixo, a sequência de ocorrências confirmadas pela prefeitura:
- Sábado à noite: primeiro avistamento em área residencial próxima a um parque.
- Domingo: urso é flagrado dentro de uma galeria comercial e, em seguida, em um parque público.
- Domingo (mais tarde): animal aparece nas imediações de uma escola de ensino médio e de uma escola primária.
- Segunda-feira de manhã: novo avistamento perto de um mercado atacadista, a aproximadamente 500 metros de uma escola secundária.
O urso percorreu distância considerável dentro da cidade em pouco tempo, passando por pontos de grande circulação de pessoas. Câmeras de vigilância de um shopping registraram o animal em movimento acelerado por uma área residencial. As imagens circularam pela mídia japonesa e internacional.
“Enviamos viaturas para as áreas onde um urso foi visto para alertar as pessoas e incentivá-las a permanecer em casa ou em seus veículos.”
Funcionário da Prefeitura de Utsunomiya, em declaração à imprensa nesta segunda-feira
Dezenas de caçadores, policiais e autoridades locais foram acionados para rastrear e capturar o animal. A operação é de grande escala para os padrões de uma ocorrência de fauna urbana no Japão, o que mostra a seriedade com que as autoridades tratam o tema após o aumento recente de incidentes semelhantes pelo país.
Ataques de ursos crescem no Japão: entenda o fenômeno
O episódio em Utsunomiya não é um caso isolado. Os ataques de ursos no Japão aumentam de forma consistente há anos, pressionados por uma combinação de fatores ambientais e demográficos que empurram os animais para mais perto das zonas habitadas. O governo japonês reconheceu a gravidade do problema e criou, em 2025, uma força-tarefa nacional dedicada a reduzir o número de vítimas.
Especialistas apontam duas causas principais. A redução da oferta de alimentos nas florestas em certas épocas do ano leva os animais a buscar comida nas cidades. O despovoamento de áreas rurais no Japão, por sua vez, diminui as barreiras humanas que antes freavam a aproximação dos ursos aos centros urbanos. Dias antes do incidente em Utsunomiya, a prefeitura de Fukushima já registrava ataques com feridos, sinalizando que o problema se espalha por diferentes regiões do país.
O fenômeno coloca em xeque a gestão da vida selvagem em um país altamente urbanizado, mas que ainda preserva extensas áreas florestais. A tensão entre a conservação dos ursos, espécies protegidas em parte do território japonês, e a segurança pública tornou-se um dos debates mais delicados da política ambiental do país. Prefeituras de diferentes regiões enfrentam pressão para adotar protocolos mais ágeis de resposta, incluindo caçadores credenciados e sistemas de monitoramento por câmeras e armadilhas não letais.
Com o animal ainda não capturado até a publicação desta reportagem, a prefeitura de Utsunomiya avalia manter a suspensão das aulas e as restrições de circulação nas áreas afetadas. O caso pressiona o governo central a ampliar os recursos da força-tarefa contra ataques de ursos e a integrar políticas de ordenamento territorial ao planejamento de segurança pública nas cidades japonesas que fazem fronteira com zonas de mata.
