estados unidos e china Reforçam Posição Contra Pedágios no Estreito de Ormuz
Altas autoridades dos Estados Unidos e da China chegaram a um consenso de que nenhum país deve ter a autorização para cobrar pedágios de navegação no Estreito de Ormuz, conforme declaração do Departamento de estado americano à Reuters nesta terça-feira (12). Essa informação é um indicativo de que ambos os países estão buscando um entendimento em meio aos esforços para pressionar o Irã a renunciar ao controle sobre essa importante hidrovia.
A declaração do Departamento de Estado ocorre em um contexto de aproximação diplomática, antecedendo uma cúpula entre o presidente donald trump e seu homólogo chinês, xi jinping, programada para esta semana. Na agenda da reunião, está incluído o tema do controle iraniano sobre o estreito, uma questão que se tornou especialmente relevante após os recentes conflitos na região.
Impacto nas Rotas Comerciais
O fechamento quase total do Estreito de Ormuz, uma rota comercial vital, pelo Irã, após os ataques aéreos conjuntos de israel e dos EUA em 28 de fevereiro, gerou ondas de choque significativas nos mercados globais de energia. O Departamento de Estado informou que o chanceler chinês, Wang Yi, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, discutiram a questão durante uma ligação telefônica em abril, onde reafirmaram a necessidade de garantir a livre navegação na região.
“Eles concordaram que nenhum país ou organização pode ser autorizado a cobrar pedágios para passagem por vias marítimas internacionais como o Estreito de Ormuz”, afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, à Reuters. Ele acrescentou que a divulgação desta conversa foi uma exceção à prática habitual do Departamento.
A embaixada chinesa não contestou a versão americana da conversa e expressou o desejo de que todas as partes colaborem para restaurar o tráfego normal pelo estreito, que antes da guerra representava cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás. O porta-voz da embaixada, Liu Pengyu, declarou: “Manter a região segura e estável e garantir passagem desimpedida atende ao interesse comum da comunidade internacional”.
Tensão com o Irã
Teerã, por sua vez, reivindica o direito de cobrar pedágios sobre o tráfego marítimo como uma condição para encerrar o conflito. Os Estados Unidos implementaram um bloqueio naval ao Irã, e Trump chegou a considerar a imposição de taxas sobre o tráfego marítimo ou a possibilidade de trabalhar com o Irã para arrecadar pedágios. No entanto, após críticas internas e internacionais, a Casa Branca passou a afirmar que o presidente deseja que o Estreito de Ormuz seja reaberto ao tráfego sem quaisquer restrições.
Até o momento, autoridades chinesas têm evitado abordar diretamente a questão dos pedágios, embora tenham manifestado sua desaprovação em relação ao bloqueio imposto pelos EUA.
Diálogo Internacional
Fontes próximas à conversa entre Wang e Rubio relataram que Rubio levantou a possibilidade de que navios chineses possam ter que pagar pedágios, numa tentativa de incentivar Pequim a pressionar Teerã a buscar um acordo. A China mantém laços estreitos com o Irã e continua sendo um dos maiores compradores de petróleo iraniano, enquanto Trump tem pressionado Pequim a utilizar sua influência para convencer Teerã a negociar com Washington.
Em uma reunião subsequente com o chanceler iraniano, Wang destacou que a comunidade internacional compartilha uma “preocupação comum em restaurar uma passagem normal e segura pelo estreito”, ao mesmo tempo em que reafirmou o apoio da China ao Irã na proteção de sua soberania e segurança nacionais.
Desafios Diplomáticos
Recentemente, a China vetou uma resolução apoiada pelos EUA nas Nações Unidas que incentivava países a cooperar na proteção do transporte marítimo no Estreito de Ormuz, argumentando que o texto era tendencioso contra o Irã. Essa decisão levou o embaixador dos EUA na onu, Mike Waltz, a afirmar que Pequim estava permitindo que o Irã mantivesse a economia global “sob a mira de uma arma”.
Washington e bahrein também elaboraram uma nova resolução da ONU exigindo que o Irã interrompa os ataques e a instalação de minas no estreito, embora diplomatas acreditem que essa proposta também enfrentará vetos de China e Rússia, caso seja submetida à votação. Esta nova proposta também inclui a exigência de cessar os “esforços para impor pedágios ilegais” na região.
Além disso, a China ordenou que suas empresas não cumpram as sanções americanas contra refinarias de petróleo devido à compra de petróleo bruto iraniano, medidas que visam isolar e pressionar Teerã.
Implicações Futuras
Diante desse cenário complexo, as relações entre Estados Unidos, China e Irã continuam a ser moldadas por interesses estratégicos e econômicos que impactam não apenas a segurança regional, mas também a estabilidade dos mercados globais de energia.
