Empresários relatam pressão para retirar apoio a manifesto contra STF

Empresários paulistas que aderiram ao manifesto “Pela Lei e pelo Brasil, Manifesto pela integridade das instituições e dos Três Poderes”, divulgado em 9 de setembro de 2026, afirmam ter recebido telefonemas de autoridades de Brasília com tom intimidatório. As chamadas solicitaram a retirada das assinaturas do documento, que contém críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com relatos, os interlocutores teriam alertado sobre a possibilidade de reabertura de processos ou prejuízos em tramitações judiciais se os empresários mantivessem o apoio ao manifesto. A informação foi divulgada pelo comentarista Caio Junqueira, durante o programa WW, da CNN Brasil. Uma fonte ouvida pela Gazeta do Povo confirmou ter conhecimento de abordagens semelhantes.

Posições e respostas

Pedro Wongtschowski, ex-presidente da Ultrapar e atual presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um dos organizadores da iniciativa por mudanças no STF, declarou não ter conhecimento desses episódios. A assessoria do Supremo também afirmou não ter ciência dos casos mencionados.

Wongtschowski confirmou que as discussões do grupo continuam e que haverá uma reunião após a sessão marcada no STF para o dia 15 de setembro de 2026.

Empresas e processos em tramitação no STF

O manifesto reúne 157 signatários, entre empresários e representantes de empresas, alguns com recursos em andamento na Corte em questões que envolvem relações trabalhistas, terceirização, e matérias tributárias. Destacam-se alguns casos emblemáticos:

  • Itaú Unibanco: O ex-presidente Cândido Bracher está entre os signatários. O banco é parte em processos relatados por ministros envolvidos na atual tensão no STF. Na reclamação constitucional (Rcl) 77.179, o Itaú recorre contra decisão do Tribunal Superior do Trabalho, tendo como relator o ministro Gilmar Mendes. O recurso foi protocolado em março de 2025.
  • Magazine Luiza: A empresa ligada a Luiza Helena e Frederico Trajano tem reclamações distribuídas no Supremo para diferentes ministros, incluindo Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, relacionadas a decisões da Justiça do Trabalho. A companhia está submetida a decisões individuais de ministros em várias frentes.
  • Vale: A mineradora, associada ao ex-presidente Eduardo Bartolomeo, possui reclamações no STF envolvendo disputas trabalhistas e terceirização. Em um dos processos, a empresa recorreu para assegurar a aplicação de entendimentos já firmados pela Corte sobre contratação via pessoas jurídicas. Em abril de 2026, teve outra reclamação distribuída, com relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
  • iFood: No setor de plataformas digitais, o CEO Diego Barreto, também signatário, participou de audiência pública no STF sobre vínculo trabalhista entre plataformas e entregadores. Em processo relatado por Cristiano Zanin, discute-se o reconhecimento ou afastamento do vínculo de emprego no caso dos entregadores da empresa.

Além desses exemplos, outros setores também têm participação no documento e enfrentam processos no Supremo relacionados a temas semelhantes.

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