Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que aproximadamente 50% dos sapos-cururus da espécie Rhinella diptycha encontrados em Fernando de Noronha, Pernambuco, apresentam deformidades. A pesquisa, que conta com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), é coordenada pelo professor Felipe Toledo, ao lado da bióloga e doutoranda Mariana Carvalho e da doutora Camila Moser.
As deformidades observadas estão, em sua maioria, localizadas nos olhos e nos membros dos sapos. Mariana Carvalho comentou sobre o assunto: “A maioria das anomalias se concentra nos membros, especialmente nos dedos dos pés, além de muitas deformidades nos olhos e nas mãos.”
A taxa de deformidades encontrada é alarmante, pois é significativamente superior ao índice considerado normal em ambientes naturais do continente, que é de até 10%. A pesquisa também investiga se há uma correlação entre essas anomalias e a contaminação por metais pesados na ilha.
Mariana Carvalho destacou: “Estamos tentando determinar se existe alguma relação entre as deformidades observadas nos membros e olhos dos sapos com o perfil de contaminação metálica na ilha. No ano passado e neste ano, amostramos cerca de oito locais, realizando análises de água e sedimentos para identificar alguns metais pesados, além de examinarmos tecidos dos animais.”
Espécie invasora
O ICMBio esclarece que não existem anfíbios nativos em Fernando de Noronha. O sapo-cururu é uma espécie exótica invasora, introduzida na ilha há mais de um século com o intuito de controlar pragas. Contudo, sua presença tem causado desequilíbrios ecológicos, principalmente pela falta de predadores naturais.
Embora se alimentem predominantemente de invertebrados, como insetos e moscas, os sapos-cururus também predam espécies nativas. Camila Moser mencionou: “Estamos avaliando o impacto da predação sobre a fauna local, tanto de invertebrados quanto de vertebrados. O sapo-cururu também se alimenta de mabuyas e caranguejos.”
A pesquisa continua em andamento e, segundo o ICMBio, os resultados devem auxiliar na compreensão dos impactos ambientais e na formulação de estratégias de manejo e conservação da biodiversidade em ilhas oceânicas.
