A maioria da população brasileira apoia a decisão judicial de conceder prisão domiciliar ao ex-presidente jair bolsonaro por questões de saúde, conforme revela uma pesquisa realizada pela Ipsos em parceria com o Ipec. O levantamento indica que 56% dos entrevistados estão de acordo com a medida, sendo 38% totalmente a favor e 18% em parte. Por outro lado, 35% se opõem à decisão, com 26% manifestando total desacordo e 9% em parte. Apenas 3% se mostraram indiferentes, enquanto 6% não souberam ou não responderam.
Divisão política
O estudo evidencia que a posição política é o principal fator que divide as opiniões. Entre os eleitores de Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022, 69% apoiam a prisão domiciliar — 54% totalmente e 15% em parte. Em contraste, 25% dos bolsonaristas se opõem à medida, sendo 18% totalmente contra e 7% em parte. Já entre os apoiadores de Luiz Inácio lula da Silva, 52% concordam com a decisão, enquanto 42% se opõem — 33% de forma total e 9% parcial.
Diferenças regionais
A pesquisa também revela variações significativas conforme a localização geográfica. A concordância é maior entre os habitantes do interior, com 58%, em comparação a 49% nas capitais. Municípios com até 50 mil habitantes mostram 60% de apoio, enquanto cidades com mais de 500 mil habitantes apresentam apenas 50%. A região Sul destaca-se com 61% de concordância.
Opinião sobre cumprimento da pena
Quando questionados sobre o cumprimento da pena após os 90 dias de prisão domiciliar, 49% dos entrevistados defendem que Bolsonaro permaneça em casa, enquanto 42% acreditam que ele deveria retornar à prisão na Papudinha. Outros 9% não souberam ou não responderam.
A polarização política se reflete novamente: 82% dos eleitores de Bolsonaro apoiam a manutenção da prisão domiciliar, enquanto apenas 25% dos eleitores de Lula compartilham dessa opinião. Inversamente, 69% dos eleitores do atual presidente preferem que Bolsonaro volte à prisão, em contraste com 12% dos apoiadores do ex-presidente.
Análise da pesquisa
A diretora-geral do Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, comentou que “o voto no segundo turno da eleição de 2022 continua sendo o principal preditor de opinião sobre temas relacionados ao ex-presidente e ao atual presidente, evidenciando que a polarização é uma característica marcante da política brasileira”.
A defesa pela manutenção da prisão domiciliar é mais pronunciada entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos (60%), moradores da região Sul (58%), evangélicos (58%) e idosos com 60 anos ou mais (54%). Em contrapartida, o desejo pelo retorno à prisão é mais expressivo no Nordeste (50%) e entre os jovens (48%).
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi conduzido entre os dias 8 e 12 de abril de 2026, abrangendo 2.000 entrevistas presenciais em 130 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%.
