O ex-governador de Goiás, ronaldo caiado (PSD), reagiu nesta quinta-feira (23) às críticas do presidente lula (pt) sobre um acordo que ele firmou relacionado a minerais críticos no estado, sem a devida consulta ao governo federal. Pré-candidato à Presidência, caiado defendeu os memorandos assinados com os estados unidos e o Japão, destacando que esses acordos visam o desenvolvimento de tecnologias em Goiás.

O estado é lar da única mineradora de terras raras em operação no brasil, a Serra Verde. Recentemente, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a aquisição da mineradora em um negócio que totaliza US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 13,8 bilhões), que incluirá pagamentos em dinheiro e ações.

Em uma entrevista no início do mês, Lula afirmou que Caiado não deveria ter realizado tal acordo sem a anuência do governo federal, alertando que “essa gente vai vender o brasil e nós não podemos permitir”. Em resposta, Caiado declarou a jornalistas durante um evento do agronegócio em Belo Horizonte: “Quem está vendendo é ele. Ele está entregando tudo, não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil, e continuamos a vender pau-brasil, como na época da colônia, ao vender nióbio e terras raras pesadas”.

Caiado ressaltou que, até agora, toda a produção da mineradora goiana é destinada à china, que domina o refino desses elementos. Com os novos acordos, a expectativa é que o Brasil comece a exportar materiais já refinados, que possuem maior valor agregado e podem impulsionar a indústria local.

O memorando de entendimento sobre minerais críticos assinado pelo governo estadual com o Departamento de Estado americano prevê que os dados coletados em levantamentos geológicos para projetos apoiados pelos EUA sejam compartilhados com o governo dos Estados Unidos. Essa medida é vista por alguns membros do governo brasileiro como um risco, pois envolve o compartilhamento de informações estratégicas sobre reservas minerais e o potencial de exploração com uma potência estrangeira, especialmente em um contexto onde ainda não existe um marco regulatório para o setor no Brasil.

Caiado também abordou, sem entrar em detalhes, seus planos para a petrobras, caso vença as eleições. Ele afirmou que a estatal deve se desvincular de “monopólios que atrapalham o país”, mencionando a concentração da empresa na distribuição de gás natural em território brasileiro. Além disso, expressou apoio à exploração de petróleo na margem equatorial e manifestou preocupação com a dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados.

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