A Justiça confirmou a prisão do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União brasil) após uma audiência de custódia realizada neste sábado. Bacellar, cujo mandato foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quinta-feira, já estava afastado por uma decisão anterior do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi detido na sexta-feira em Teresópolis, a pedido do ministro alexandre de moraes, e encaminhado ao Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, localizado no Complexo de Gericinó, em Bangu.
Operação Unha e Carne III
A prisão foi efetivada pela Polícia Federal (PF) no contexto da Operação Unha e Carne III, que investiga Bacellar por supostos vazamentos de informações relacionadas a uma operação contra o Comando Vermelho. Este não é o primeiro problema legal do ex-deputado, que já havia sido preso em dezembro do ano passado em uma fase anterior das investigações.
Os advogados de Bacellar, Daniel Bialski e Roberto Podval, se manifestaram em nota, afirmando que desconhecem os fundamentos da prisão, mas a consideram “indevida e desnecessária”, já que ele vinha cumprindo todas as medidas cautelares impostas. Eles informaram que pretendem contestar a decisão e solicitar sua revogação.
Relatório da PF
No dia 28 de janeiro, a PF enviou ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o relatório final das investigações. O documento aponta Bacellar, o desembargador do TRF-2 Macário Judice e o ex-deputado estadual Thiego santos, o TH Jóias, entre outros, como alvos de apuração por crimes relacionados ao caso.
O delegado Guilherme Catramby, responsável pelo relatório, destacou que a habilidade de Bacellar em se articular com diversos poderes fluminenses o tornava uma figura central, capaz de obter favores que colocavam os solicitantes em situações de vulnerabilidade.
Indiciamentos e Implicações
Além de Bacellar e Thiego, foram indiciados Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado, esposa e ex-assessor de Thiego, respectivamente. O magistrado Macário Judice não foi indiciado devido ao seu cargo, e seu caso foi encaminhado à PGR.
Em dezembro de 2025, Bacellar havia sido eleito por unanimidade para presidir a Alerj e era cogitado como candidato a governador. Ele foi acusado de vazar informações sobre uma operação que resultou na prisão de TH Jóias, acusado de ser integrante do Comando Vermelho.
Relação com a Política
A Operação Unha e Carne é considerada uma extensão da Operação Zargun, que resultou na detenção de TH Jóias. O relatório da PF atribui a Bacellar a liderança de um núcleo político da organização criminosa investigada.
No dia 8 de dezembro, a Alerj aprovou a revogação da prisão de Bacellar, que obteve liberdade provisória, mas com medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A votação, que teve 42 deputados a favor e 21 contra, foi analisada pela PF, que sugeriu que poderia estar relacionada a uma troca de favores na distribuição de cargos.
Detalhes das Investigações
Um computador apreendido na sala do chefe de gabinete de Bacellar revelou planilhas detalhando os cargos e demandas de diversos deputados. Os pedidos, organizados por nomes e posições, indicam que 87,88% dos parlamentares listados votaram a favor da soltura de Bacellar.
Entre os pleitos, constam solicitações de controle em órgãos como o Detran e a Faetec. O deputado Rodrigo Amorim (União brasil) também foi mencionado por solicitar cargos em setores estratégicos, enquanto a Fundação Ceperj está sendo investigada por desvios de verbas.
Próximos Passos
O caso ainda está pendente de julgamento no TSE e pode resultar na cassação e inelegibilidade de Bacellar e outros políticos fluminenses. Em meio às investigações, a PF apreendeu um caderno de Bacellar, que continha anotações sobre possíveis nomeações para um futuro governo, incluindo sugestões de nomes conhecidos para pastas estratégicas.
A PF esclareceu que a mera projeção de cenários de governo não constitui crime por si só, embora a análise do material se insira em um contexto de investigação mais amplo. A relação entre política e criminalidade é um dos focos centrais da apuração.
Os advogados de Bacellar alegam que não existem provas que liguem seu cliente a atividades ilícitas. O presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli, também se defendeu da inclusão de seu nome em documentos elaborados por terceiros, reiterando que atua dentro da legalidade.
