Oman e Irã discutem segurança na navegação pelo Estreito de Ormuz

Oman e Irã realizaram reuniões em nível de vice-ministros das Relações Exteriores, abordando alternativas para garantir a transitabilidade de embarcações pelo Estreito de Ormuz, conforme informações divulgadas pelo Ministério das Relações Exteriores de Oman. O encontro ocorreu no último sábado, com a participação de especialistas de ambos os países, conforme indicado em um comunicado publicado no domingo na plataforma X.

De acordo com o ministério, as discussões abrangeram “opções possíveis para assegurar a passagem tranquila pelo Estreito de Ormuz, em meio às circunstâncias atuais da região”. Durante a reunião, os especialistas apresentaram várias visões e propostas que estão sendo analisadas pelas partes envolvidas.

Movimentação de embarcações no estreito

No domingo, três embarcações omanenses foram observadas transitando pelo Estreito de Ormuz, fora do “corredor aprovado” pelo Irã, próximo à Ilha Larak, conforme dados de rastreamento monitorados pela publicação de navegação Lloyd’s List. O comboio é composto por dois grandes supertanques de petróleo e um transportador de gás natural liquefeito (GNL), navegando “de forma incomum perto da costa omanense”, de acordo com a fonte britânica.

Esses movimentos ocorrem após um oficial iraniano declarar na última quinta-feira que o país está elaborando um protocolo com Oman para monitorar o tráfego no estreito, que é responsável por cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e que o Irã restringiu severamente em represália ao atual conflito entre os estados unidos e israel.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) permitiu a passagem de algumas embarcações, incluindo aquelas ligadas ao Paquistão, França e turquia. Contudo, aproximadamente 3.000 outras embarcações estão retidas na região.

Consequências para o mercado de energia

O Estreito de Ormuz é um ponto crítico para o envio global de energia, especialmente para o petróleo e gás que se deslocam do Golfo para a Europa e Ásia. Disrupções nessa via têm gerado volatilidade no mercado, levando países importadores de petróleo e gás a buscar fontes alternativas.

O presidente dos Estados Unidos, donald trump, em uma postagem nas redes sociais no final de semana, ameaçou desatar “todo o inferno” caso o estreito não seja reaberto até segunda-feira.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores do egito, Badr Abdelatty, manteve conversas separadas para discutir propostas de desescalonamento regional com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e outros interlocutores, incluindo o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, conforme comunicado do ministério egípcio.

Amin Saikal, professor emérito da Universidade Nacional da Austrália, comentou que uma expansão do conflito “será um inferno para toda a região”. Ele enfatizou que deve haver algum tipo de acordo negociado, mas observou que, neste momento, a possibilidade de uma solução diplomática parece bastante limitada, a menos que o presidente Trump perceba que o conflito tem causado muitos problemas tanto a nível doméstico quanto internacional, levando-o a buscar um compromisso com os iranianos.

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