governador critica aposentadoria de PM acusado de feminicídio
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se manifestou de forma contundente sobre a situação do tenente-coronel da Polícia militar, Geraldo Leite Rosa Neto, que está preso sob a acusação de feminicídio. Durante um evento em Campos do Jordão, na quinta-feira (2), o governador afirmou que o oficial deve “apodrecer pelo resto da vida na cadeia” e defendeu que ele perca tanto o posto quanto a patente.
A declaração de Freitas surgiu após a confirmação de que Neto, de 53 anos, foi colocado na reserva com vencimentos proporcionais, mesmo enquanto enfrenta uma prisão preventiva. O governador destacou que, apesar da aposentadoria, os benefícios são direcionados à família do militar e expressou sua expectativa de que o crime não fique impune. “Nosso desejo é que ele seja condenado exemplarmente, porque o que ele cometeu foi um crime bárbaro”, afirmou.
Investigação em andamento
O tenente-coronel está detido desde 18 de março, suspeito de ter assassinado sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso é tratado como feminicídio pelas autoridades. A decisão de aposentadoria foi publicada no Diário Oficial após solicitação do próprio militar, com base no tempo de serviço. Segundo as normas da Polícia Militar de São Paulo, a passagem para a reserva pode ocorrer mesmo com processos criminais e administrativos em curso.
Embora a aposentadoria tenha sido concedida, o militar ainda pode ser expulso da corporação e perder os benefícios, dependendo da conclusão dos procedimentos disciplinares e de uma decisão judicial final. A Secretaria da Segurança Pública assegurou que a aposentadoria não impede a responsabilização penal ou administrativa do oficial.
Processo disciplinar
Na última segunda-feira (30), o secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, deu início ao Conselho de Justificação do tenente-coronel, um processo que pode culminar na expulsão de Neto da PM. Caso essa decisão seja tomada, ele perderá a patente e poderá ser transferido para um presídio comum. Atualmente, Neto encontra-se no Presídio Militar Romão Gomes, localizado na zona norte da capital paulista, onde são recolhidos todos os policiais militares detidos.
O coronel Henguel Ricardo Pereira, secretário-executivo da SSP, informou que o pagamento do salário de Neto foi cancelado após sua prisão. Com a recente passagem à reserva, a responsabilidade pelos pagamentos será transferida para a autarquia responsável pelo regime de previdência dos servidores estaduais, a SPPrev.
Circunstâncias da morte de Gisele
Gisele foi assassinada com um tiro na cabeça em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. No momento do ocorrido, Neto estava presente e, ao informar sobre a situação, alegou que a esposa havia cometido suicídio. No entanto, a análise das evidências, como a posição das manchas de sangue e marcas de agressão no rosto da vítima, levou à prisão do tenente-coronel.
A perícia indicou que o oficial teria atirado na cabeça de Gisele, alterado a posição do corpo e colocado a arma na mão da falecida. Além disso, Neto desobedeceu a uma ordem de não se banhar, o que poderia ter comprometido a preservação de evidências.
Após a detenção de Neto, a defesa do tenente-coronel alegou que a ordem da Justiça Militar era ilegal, argumentando que foi emitida por uma autoridade sem competência para julgar crimes comuns, como o feminicídio. Também criticou a divulgação de informações pessoais do oficial, afirmando que isso resultou em uma exposição indevida e afetou sua honra e dignidade.
