Senador bernie sanders propõe resolução para bloquear venda de armamentos a israel
Contexto da proposta no cenário político atual
O senador dos estados unidos, Bernie Sanders, anunciou que irá avançar com uma resolução que visa bloquear a venda de quase meio bilhão de dólares em bombas e escavadeiras para o exército israelense. Essa proposta surge em meio ao crescente conflito entre Israel e Irã, e representa um teste importante para o apoio que Israel recebe no Congresso, especialmente entre os democratas.
Ação legislativa prevista
Em uma declaração feita na segunda-feira, Sanders afirmou que “forçará a votação” sobre a medida ainda nesta semana, utilizando um processo legislativo que permite levar um projeto à votação no senado sem a aprovação do líder da maioria. Em uma postagem em X, ele detalhou: “Esta semana, estarei forçando uma votação sobre a legislação para bloquear a venda de quase meio bilhão de dólares em bombas e escavadeiras para o exército israelense.”
Críticas ao governo israelense
Sanders criticou o governo de benjamin netanyahu, afirmando que “o governo extremista que comete genocídio em Gaza não precisa de mais apoio militar dos contribuintes americanos.” Essa declaração reflete a crescente insatisfação entre os democratas em relação ao apoio incondicional dos EUA a Israel, especialmente diante das contínuas hostilidades em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
Expectativas sobre a votação
Embora a resolução tenha pouca chance de aprovação no Senado, controlado pelos republicanos, ela servirá como um termômetro para medir o nível de apoio a Israel entre os democratas, que têm se mostrado cada vez mais críticos em relação à guerra entre os EUA e Irã e às atrocidades em Gaza.
Histórico de propostas semelhantes
No passado, Sanders já havia apresentado um projeto semelhante em julho do ano anterior, que resultou em uma votação de 27 a 70, evidenciando uma erosão no consenso bipartidário pró-Israel em Washington. Desde então, a aprovação pública de Israel nos EUA tem diminuído, especialmente entre os jovens e os democratas. Uma pesquisa da Gallup realizada em fevereiro indicou que apenas 46% dos americanos possuem uma visão favorável sobre Israel, e apenas 17% dos democratas afirmaram simpatizar mais com os israelenses do que com os palestinos.
Apoio militar dos EUA a Israel
Nos primeiros dois anos da guerra de Israel em Gaza, os Estados Unidos forneceram mais de 21 bilhões de dólares em ajuda militar. As violações de direitos humanos em Gaza e a guerra contra o Irã, que teve o ex-presidente donald trump se unindo a Israel para iniciar o conflito sem autorização do Congresso, intensificaram o ceticismo em relação ao apoio incondicional a Israel.
Mudanças no discurso de grupos pró-Israel
Na segunda-feira, o grupo J Street, uma organização liberal sionista que se descreve como pró-Israel e pró-paz, fez um apelo pela primeira vez para a redução da ajuda militar dos EUA a Israel. Em uma declaração, o grupo afirmou: “A guerra em Gaza, o crescente terrorismo extremista judaico na Cisjordânia e a guerra entre os EUA e Israel com o Irã destacam a necessidade de uma reavaliação fundamental da relação de segurança entre os EUA e Israel.” Além disso, a J Street solicitou a aplicação consistente das leis americanas que restringem a assistência militar a países estrangeiros em casos de violações de direitos humanos, algo que, segundo defensores dos direitos, tem sido ignorado por sucessivas administrações dos EUA para garantir um fluxo contínuo de armas para Israel.
